A missão do Irã na ONU acusou nesta terça-feira os Estados Unidos de buscarem "um pretexto para intervenção militar" depois que o presidente Donald Trump ameaçou agir "com muita firmeza" contra Teerã caso o país execute pessoas detidas durante os protestos que tomaram as ruas desde 28 de dezembro. O presidente americano incentivou nesta terça-feira os manifestantes no Irã a manterem o movimento e a derrubar as autoridades da República Islâmica, cuja repressão aos protestos já deixou 734 mortos, segundo uma ONG. Contexto: Trump avalia ação militar, cibernética ou econômica ao Irã em meio a protestos que já deixaram ao menos 200 mortos Escalada dos EUA: Trump encoraja manifestantes no Irã a tomar instituições e diz que 'a ajuda está a caminho' "As fantasias e a política dos Estados Unidos em relação ao Irã têm como base a mudança de regime, com sanções, ameaças, agitação orquestrada e caos como modus operandi para fabricar um pretexto para uma intervenção militar", disse a delegação iraniana em uma mensagem divulgada no dia X, acompanhada de uma carta de protesto dirigida aos líderes das Nações Unidas, assinada pelo O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani. Ele prometeu que "o manual" usado por Washington "vai falhar novamente". Initial plugin text "Patriotas iranianos, MANTENHAM AS MANIFESTAÇÕES", escreveu Donald Trump em sua plataforma Truth Social. "Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que CESSEM este massacre sem sentido de manifestantes. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO". Os protestos tiveram início em 28 de dezembro, motivados pela disparada dos preços e pelo agravamento da crise econômica. Com o passar dos dias, as manifestações ganharam um caráter mais amplo e passaram a questionar diretamente a elite clerical que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. A insatisfação também se voltou contra a Guarda Revolucionária, força poderosa com interesses bilionários em setores estratégicos da economia iraniana. Entenda: Trump diz que Irã procurou EUA para negociar após ameaça sobre resposta militar a repressão a protestos Trump ameaçou em diversas ocasiões intervir militarmente e, agora, em uma tentativa de intensificar a pressão, anunciou que imporá "imediatamente" tarifas de 25% aos parceiros comerciais da República Islâmica. Embora a conexão telefônica internacional tenha sido restabelecida nesta terça-feira, os iranianos seguem sem acesso à internet desde 8 de janeiro, o que organizações de direitos humanos denunciam como uma tentativa de ocultar a magnitude do derramamento de sangue. Trump ameaçou agir "de maneira muito firme" se as autoridades iranianas começarem a executar os manifestantes, depois que o Ministério Público de Teerã afirmou que serão apresentadas acusações por crimes capitais de "moharebeh" ("guerra contra Deus") contra alguns dos suspeitos detidos nos protestos. No passado, houve casos em que essas acusações levaram à pena de morte. Exilado: quem é Reza Pahlevi, ex-príncipe herdeiro do Irã citado durante protestos no país No âmbito internacional, o tom endureceu. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou-se "horrorizado" com a repressão, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que sanções serão propostas "rapidamente" em resposta ao número "aterrorizante" de mortos. Espanha, França, Reino Unido, Finlândia, Dinamarca e Alemanha convocaram diplomatas iranianos para expressar sua "condenação" à repressão aos protestos. Vídeos mostram manifestações no Irã apesar de bloqueio da internet Guga Chacra: Em defesa das iranianas e iranianos A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, informou nesta terça-feira que verificou 734 mortes, incluindo a de nove menores, mas alertou que o número real de mortos pode ultrapassar 6 mil A ONG também informou que mais de 10 mil pessoas foram detidas. A Human Rights Watch (HRW) acrescentou que existem "relatos confiáveis de que as forças de segurança estão realizando massacres em grande escala". Com agências internacionais.