O Exército sírio e as forças curdas relataram novos combates no leste de Aleppo, um setor que Damasco quer controlar após ter assegurado o domínio dessa cidade do norte do país. Segundo uma fonte militar citada pela agência oficial SANA, as Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas pelos curdos, “atacam posições do Exército e residências civis perto do povoado de Humeima, no leste de Aleppo, com metralhadoras pesadas e drones, e o Exército responde”. Com a queda de Assad, busca por desaparecidos revela valas comuns e expõe ferida aberta na Síria As FDS afirmam ter repelido uma “tentativa de infiltração” na área do povoado de Zubayda, um pouco mais ao sul, e informaram sobre ataques com drones por parte do Exército que deixaram “vários feridos”. As FDS são o exército de fato da administração semiautônoma curda e controlam amplas áreas do norte e do nordeste do país, ricas em petróleo. Na terça-feira, o Exército exigiu que as forças curdas “se retirem para leste do Eufrates”, o rio que atravessa o norte da Síria. Guga Chacra: - A triste morte de Aleppo - Da al-Qaeda ao plenário da ONU Um correspondente da AFP viu, na terça-feira, baterias de defesa antiaérea e de artilharia do Exército sírio serem deslocadas para a frente de Deir Hafer, perto das posições das FDS. Essas últimas acusaram posteriormente as forças governamentais de bombardear Deir Hafer. A responsável pelas relações exteriores da administração autônoma curda, Elham Ahmed, acusou na terça-feira o Exército sírio de preparar “um ataque em grande escala” contra os curdos. Ela acusou as autoridades de terem “declarado guerra” e “rompido o acordo de 10 de março” de 2025, que buscava uma integração negociada das instituições civis e militares curdas ao Estado sírio. O governo da Síria assumiu o controle total da cidade de Aleppo durante o fim de semana e evacuou combatentes para áreas controladas pelos curdos no nordeste do país. Ambos os lados se acusaram mutuamente de iniciar a violência na terça-feira passada, que deixou dezenas de mortos e deslocou dezenas de milhares de pessoas.