Hipnose virou tendência entre famosos? O que está por trás do movimento

Durante muito tempo associada a truques de palco e cenas de cinema, a hipnose vem ganhando um novo status fora do universo do entretenimento. O interesse pela técnica cresceu nos últimos anos, impulsionado não só por estudos científicos, mas também por relatos de famosos que recorreram ao método para lidar com ansiedade, medos e emoções difíceis — um tema que desperta curiosidade e debate entre o público. Veja: Relato de Virgínia Fonseca em Dubai reacende preocupação com químicas rápidas em salões Quais os riscos da progressiva para o cabelo e a saúde? Entenda após relato de Virgínia Fonseca Adele já contou que usou a hipnose para enfrentar o medo do palco e como apoio para parar de fumar. Reese Witherspoon buscou a técnica para lidar com inseguranças e crises de pânico ligadas a experiências negativas ao longo da carreira. Bruce Willis, ainda no início da trajetória como ator, recorreu ao método para superar a gagueira e reduzir a ansiedade ao falar em público. No Brasil, Anitta confirmou que fez sessões de hipnose com Pyong Lee e descreveu a experiência como positiva, embora tenha interrompido o processo por receio de encarar novamente conteúdos emocionais profundos. Fátima Bernardes também já mencionou a hipnose como ferramenta de autoconhecimento e equilíbrio emocional. Deborah Secco entra nessa lista ao revelar que realizou sessões como apoio emocional, reforçando o interesse crescente da técnica entre artistas acostumados à pressão e à exposição constante. Os relatos ajudam a explicar por que a hipnose clínica, também chamada de hipnoterapia, voltou a chamar atenção quando o assunto é saúde emocional. Em um cenário marcado por níveis elevados de estresse e ansiedade, cresce a busca por abordagens que prometem ir além do alívio imediato e ajudar a compreender a origem dos medos e bloqueios. Ao contrário do que muitos ainda imaginam, a hipnose clínica não envolve perda de consciência nem falta de controle. Durante as sessões, o paciente permanece lúcido, em um estado de foco e relaxamento profundo que favorece o contato com emoções e padrões internos que costumam passar despercebidos no dia a dia. Segundo o especialista em hipnoterapia Felipe Gonzalez, é justamente esse acesso mais profundo que diferencia a técnica. "Quando a ansiedade tem origem em traumas, gatilhos ou padrões emocionais que se repetem, a hipnose ajuda o paciente a acessar esses conteúdos internos e reorganizá-los. É um processo que trabalha causas, não apenas sintomas", explica. O interesse pela hipnose não acontece isoladamente. Pesquisas recentes indicam que a técnica pode influenciar áreas do cérebro ligadas ao medo, ao estresse e à percepção da dor, o que ajuda a explicar por que instituições como a Stanford Medicine e a American Psychological Association reconhecem seus resultados na redução da ansiedade e no aumento do controle emocional. Na prática, as sessões funcionam como um convite à introspecção. Emoções antecipatórias, inseguranças e reações automáticas costumam ser revisitadas, permitindo uma nova forma de lidar com situações que antes geravam desconforto. Para muitos pacientes, esse processo resulta em avanços percebidos como mais rápidos do que aqueles obtidos apenas por abordagens racionais. Para Felipe, a hipnoterapia pode ser tanto uma porta de entrada quanto um complemento ao cuidado emocional. "Ela pode ser uma primeira escolha para tratar ansiedade, fobias, traumas e sintomas relacionados ao estresse. Também pode atuar de forma complementar à psicoterapia e a outras abordagens, sempre de acordo com a necessidade de cada pessoa", afirma. Apesar da curiosidade crescente, o especialista destaca que a escolha do profissional faz toda a diferença. "O que garante a segurança da hipnose é a capacitação do terapeuta. É uma técnica muito potente quando bem conduzida, mas precisa ser aplicada por alguém habilitado", conclui.