O dramático episódio ocorrido na costa atlântica da província de Buenos Aires, no qual um jovem de 29 anos morreu e pelo menos 35 pessoas ficaram feridas em Mar Chiquita, na Argentina, tratou-se de um fenômeno pouco conhecido: o “meteotsunami” (tsunami meteorológico). Foi o que explicou uma meteorologista em um relatório da LN+, ao detalhar que o evento foi registrado por volta das 16h, em um dia marcado por temperaturas extremas que ultrapassaram os 38°C e por uma grande concentração de pessoas na praia. 'Mini tsunami': mar avança repentinamente e deixa ao menos um morto e 35 feridos na Argentina; vídeo Os primeiros cristãos da Polônia? Arqueólogos encontram cemitério milenar que revela transição religiosa Segundo ela, o marégrafo de Mar del Plata começou a detectar variações abruptas no nível do mar. Em poucos minutos, a água baixou cerca de 60 centímetros e depois se elevou até um metro, uma mudança brusca que gerou o avanço violento do mar sobre a costa. Essa oscilação repentina, de acordo com o que detalhou a especialista, foi fundamental para que ocorresse o maior impacto do fenômeno. Initial plugin text Casamento nas alturas: Noivos trocam alianças em corredor de avião e imagens viralizam nos EUA; vídeo Por que se tratou de um meteotsunami A especialista explicou que o evento foi classificado como um meteotsunami porque teve origem na interação entre a atmosfera e o mar, e não em um movimento sísmico. — Não tem relação com um fenômeno geológico — esclareceu, ressaltando que essa região é altamente improvável para a ocorrência de um tsunami de grande magnitude, como os registrados no Japão ou no Chile. Nesse caso, o fator desencadeante foi uma mudança brusca na pressão atmosférica. Esse “empurrão” da atmosfera sobre a superfície do mar gerou uma onda que, ao chegar a áreas costeiras de pouca profundidade, se amplificou e provocou a elevação repentina do nível da água. As condições para o fenômeno De acordo com a análise meteorológica, durante a tarde de segunda-feira havia uma frente fria avançando sobre o sul da província de Buenos Aires, um sistema associado justamente a fortes variações de pressão. Horas depois, por volta das 19h, a temperatura caiu de forma acentuada, com um resfriamento de cerca de 15°C. Vídeo: Argentina ameaça motoristas com taco de beisebol em discussão de trânsito em Punta del Este Além disso, nas imagens de satélite foram observadas ondas de gravidade na atmosfera que entraram em ressonância com as ondas longas do mar. Essa combinação favoreceu a amplificação do nível da água ao se aproximar da costa, o que acabou gerando o fenômeno que surpreendeu banhistas e equipes de resgate. Um risco real e difícil de prever A meteorologista ressaltou que os meteotsunamis são relativamente frequentes, mas muitas vezes passam despercebidos porque provocam variações de apenas alguns centímetros. Nesta ocasião, a magnitude foi maior e coincidiu com um contexto excepcional: calor extremo, maré baixa anterior e milhares de pessoas dentro da água. Ela também alertou que se trata de um evento imprevisível, pois exige que várias condições ocorram ao mesmo tempo. Por isso, embora sejam localizados e não alcancem a escala destrutiva de um tsunami clássico, representam um risco real quando acontecem de forma súbita, como ocorreu em Mar Chiquita.