Quase nove anos separam o dia de hoje da última vez que o Flamengo visitou Moça Bonita em um torneio profissional. O período de ausência no estádio será encerrado às 21h30, quando o rubro-negro visita o dono da casa, o Bangu, em jogo da 1ª rodada do Campeonato Carioca — a equipe de garotos estreou no domingo, no empate por 1 a 1 com a Portuguesa, em partida antecipada da 5ª rodada. Os Estaduais costumam ser momento de reencontro dos grandes clubes com equipes que já foram rivais em décadas passadas e “templos” que não recebem mais as principais competições do calendário. No Carioca, um dos principais é o local de arquibancadas de cimento e quase nenhuma cobertura encravado na Zona Oeste, no bairro conhecido como o mais quente do Rio. Ainda um dos estádios mais utilizados pelas equipes pequenas do estado, e que também recebeu jogos de Fluminense, Botafogo e Vasco nos últimos anos, o Proletário Guilherme da Silveira viu o Flamengo pela última vez em 4 de fevereiro de 2017. Naquela tarde, o rubro-negro goleou o Nova Iguaçu por 4 a 0, com uma escalação que nem todos lembram de primeira. Zé Ricardo levou a campo uma equipe com Alex Muralha, Pará, Réver, Rafael Vaz e Trauco; Márcio Araújo, Willian Arão, Mancuello e Adryan; Gabriel e Guerrero — Cuéllar, Marcelo Cirino e Leandro Damião entraram. Guerrero e Mancuello marcaram duas vezes cada. Eram outros tempos da reestruturação econômica do clube, que podem gerar boas memórias ou causar frio na espinha do torcedor. Alguns fatores explicam o tempo de afastamento de Moça Bonita: a necessidade de reformas na estrutura por parte do clube da casa para receber a torcida rubro-negra — foram quase 7 mil presentes no último jogo —, o gramado irregular, que gera reclamações de jogadores, o calor excessivo do bairro em verões cada vez mais quentes na cidade e a falta de iluminação para jogos noturnos. Fato é que o alvirrubro conseguiu melhorar sua estrutura — a principal novidade é o sistema de iluminação modernizado no local — e vai receber o rubro-negro de novo, mesmo que apenas os “Garotos do Ninho” entrem em campo — muitos deles eram crianças no jogo de 2017. O time comandado pelo técnico Bruno Pivetti deve ser o mesmo que empatou com a Portuguesa, com possibilidade de Kaio Nóbrega e Alan Santos, que entraram bem, ganharem chance. Os cerca de 7 mil ingressos estão esgotados desde sábado. Eram mais de 23 anos desde que o Bangu havia enfrentado o Flamengo em seus domínios — vitória por 2 a 1, em maio de 2002, pelo Carioca —, motivo muito comemorado pelo clube. “Esse retorno só foi possível porque o Bangu cumpriu todos os requisitos, com todos os laudos técnicos aprovados, fruto de um trabalho sério para devolver o protagonismo à nossa casa. Essa conquista é do Bangu, é da torcida alvirrubra e é, principalmente, da Zona Oeste, que respira futebol, identidade e pertencimento”, disse em publicação nas redes sociais. O momento atual do Flamengo e de Moça Bonita podem ser divergentes, mas a história vai muito além dos anos recentes. Segundo números do site “Fla Estatística”, o clube tem 61 jogos no campo do subúrbio, com 40 vitórias, oito empates e 12 derrotas (70% de aproveitamento), 140 gols feitos e 64 sofridos. O Flamengo no Estádio de Moça Bonita, do Bangu O estádio de Moça Bonita foi inaugurado em 1947 e chegou a ter capacidade para 15 mil pessoas — hoje, pode receber até 9 mil. O Flamengo foi derrotado por 4 a 2 pelo Bangu em seu primeiro jogo, um amistoso em março de 1948. Mas deu o troco ao devolver o placar no primeiro jogo oficial, em dezembro do mesmo ano, pelo Carioca. Ao longo da história, o Flamengo foi ao local principalmente para enfrentar o alvirrubro e equipes menores pelo Estadual, mas também fez outros jogos expressivos, sobretudo nos anos 1990. Em 1992, quando o Maracanã estava interditado por conta do acidente que vitimou três torcedores na final do Brasileirão, recebeu Grêmio e Estudiantes (Argentina) na Zona Oeste, pela extinta Supercopa Libertadores — vitória por 1 a 0 nas duas ocasiões. Alguns clássicos também foram disputados pelo rubro-negro em Moça Bonita. Três deles contra o Vasco, todos no fim de 1993: uma vitória (1 a 0) pela Copa Capital e duas derrotas (2 a 0 e 1 a 0), pela Copa Rio de Janeiro. Já em maio de 1998, um Fla-Flu deveria ter acontecido em Bangu pela Taça Rio, mas terminou no primeiro W.O. duplo da história do futebol carioca. O motivo é que as diretorias dos dois clubes estavam em conflito com a Federação do Rio de Janeiro, então presidida por Eduardo Viana, o Caixa d’Água.