O grupo norte-americano Saks Global, proprietário das lojas de departamento de luxo Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman, anunciou na noite de terça-feira que entrou com pedido de falência nos Estados Unidos. Renegociação de contratos: Mudança no vale-refeição esquenta disputa por mercado de R$ 150 bilhões ‘Rei do atum’: Japonês paga US$ 3,2 milhões por peixe de 243 quilos e bate recorde de leilão Segundo a empresa, foi iniciado um processo de falência voluntária perante um tribunal do distrito sul do Texas. A companhia afirma que pretende “cumprir todos os programas destinados aos clientes, realizar os pagamentos futuros aos fornecedores e manter o pagamento de salários e benefícios aos funcionários”. As lojas do grupo seguem operando normalmente. Há semanas, num esforço para manter suas operações, a empresa buscou estruturar um empréstimo de até US$ 1 bilhão incluído ao pedido de recuperação judicial já previsto, segundo pessoas a par das negociações. Com sérios problemas de caixa, a dona de Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman deixou de pagar mais de US$ 100 milhões em juros devidos a detentores de títulos no último dia 30 de dezembro, e vinha negociando um acordo de tolerância (“forbearance”) com alguns credores, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as conversas são privadas. Alguns detentores de títulos da Saks discutiram um financiamento do tipo “debtor-in-possession” (DIP), que poderia incluir o aporte de pelo menos US$ 750 milhões em dinheiro novo na companhia e um possível arranjo para adiar o pagamento de dívidas e permitir que a empresa continuasse operando após entrar em recuperação judicial, relataram as fontes. Ainda assim, a situação evoluiu rapidamente. Planos de saúde: ações na Justiça disparam e já são 47% do total no setor A Saks, cujas origens somam mais de 50 anos, corre para tapar o buraco de liquidez em meio a pressões sobre estoques e fluxo de caixa. A empresa chegou a um ponto crítico cerca de 12 meses depois de levantar bilhões de dólares junto a investidores para um plano de reestruturação que incluía a aquisição da Neiman Marcus, arrematada por US$ 2,7 bilhões em 2024. O objetivo era dar escala ao negócio e reduzir despesas. Apoio de credores Em junho, os credores concordaram em fornecer à Saks mais centenas de milhões de dólares como parte de um acordo de dívida que reorganizou o cronograma de pagamentos, criando vários níveis com diferentes direitos sobre os ativos da empresa. Mesmo assim, a companhia continuou apresentando vendas fracas e problemas de estoque. Em meio às dificuldades financeiras, a Saks anunciou no início do mês que seu diretor-presidente, Marc Metrick, deixaria o cargo, sendo substituído pelo presidente do conselho, Richard Baker. A rede opera suas lojas-âncora Saks Fifth Avenue, além da Bergdorf Goodman e da Neiman Marcus. Em outubro, a empresa reduziu sua projeção para o ano após reportar queda nas vendas decorrente de dificuldades na gestão de estoques. No trimestre encerrado em 2 de agosto de 2025, a receita recuou 13% em relação ao ano anterior, para US$ 1,6 bilhão. Na época, a administração disse que vinha estudando a venda de uma participação minoritária na Bergdorf Goodman para levantar recursos.