A adesão de atletas de alto rendimento à promoção de medicamentos à base de GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, vem crescendo nos Estados Unidos e impulsionando a visibilidade desses tratamentos para obesidade e diabetes tipo 2. O caso mais recente envolve o ex-quarterback da NFL Tom Brady, nomeado diretor de bem-estar da plataforma de saúde digital eMed. Canetas emagrecedoras estão reduzindo o gasto com comida nos EUA, aponta estudo; entenda Brady se soma a outros nomes de destaque do esporte que passaram a se associar publicamente a medicamentos ou plataformas ligadas ao uso de GLP-1. A ex-tenista Serena Williams firmou parceria com a empresa de telemedicina Ro, enquanto a ginasta olímpica Simone Biles fechou acordo com a farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, após sua mãe iniciar tratamento para diabetes tipo 2. Segundo dados do setor de saúde, o número de americanos que utilizam medicamentos como Ozempic, Wegovy e Zepbound mais que dobrou desde o início de 2024. A exposição promovida por atletas com grande alcance midiático tem sido apontada como um dos fatores que aceleram essa expansão. Especialistas afirmam que a presença de ídolos do esporte pode contribuir para a desestigmatização do tratamento da obesidade como uma condição médica, e não apenas comportamental. Para a médica Shiara Ortiz-Pujols, diretora de medicina da obesidade no Hospital Universitário de Staten Island, o apoio de celebridades ajuda a normalizar o debate público. — Isso muda a percepção de que o uso desses medicamentos é uma falha individual, deslocando a discussão para o campo médico — afirmou, segundo o jornal americano New York Post. Por outro lado, profissionais de saúde alertam para possíveis interpretações equivocadas. A associação de atletas de alto desempenho a esses medicamentos pode gerar a falsa impressão de benefício esportivo ou de soluções rápidas para perda de peso, o que não corresponde às indicações clínicas dos GLP-1.