Estudante acusado de incendiar maior sinagoga do Mississippi exibe queimaduras nas redes e pode pegar até 20 anos de prisão

O estudante universitário Stephen Pittman, de 19 anos, acusado de incendiar a maior sinagoga do Mississippi, apareceu nas redes sociais com queimaduras visíveis enquanto permanecia internado em um hospital de Jackson, nesta terça-feira (13). Segundo autoridades federais, ele sofreu ferimentos nos tornozelos, mãos e rosto durante o suposto ataque à Congregação Beth Israel, ocorrido na madrugada de sábado (10), pouco depois das 3h. Vídeo: Câmeras de segurança flagram jovem despejando gasolina antes de incêndio na maior sinagoga do Mississippi De acordo com uma declaração juramentada do FBI apresentada no Tribunal Distrital do Sul do Mississippi, Pittman teria confessado o crime ao pai após ser confrontado sobre as queimaduras. Ainda segundo o documento, o jovem teria rido ao relatar o ocorrido e afirmado que “finalmente os havia pegado”, levando o pai a procurar imediatamente as autoridades federais. Stephen Pittman, de 19 anos, acusado de incêndio criminoso, exibiu as queimaduras que sofreu em seu quarto de hospital Reprodução/Redes sociais Investigação aponta motivação religiosa Os investigadores afirmam que Pittman descreveu a sinagoga como uma “sinagoga de Satanás”, citando supostas “ligações judaicas” como motivação. Imagens de câmeras de segurança mostram uma figura encapuzada despejando gasolina no interior do prédio, inclusive sobre móveis do saguão, para facilitar a propagação das chamas. O FBI também apreendeu um celular queimado, atribuído ao suspeito, além de uma lanterna encontrada por membros da congregação. Assista: Câmera flagra jovem despejando gasolina antes de incêndio na maior sinagoga do Mississipi Promotores sustentam que o jovem enviou mensagens ao pai momentos antes do incêndio, com uma foto da parte traseira do prédio e comentários sobre o uso de moletom, a qualidade das câmeras de vigilância e medidas para ocultar a identidade. Pittman também teria retirado a placa do carro e comprado combustível em um posto antes de seguir até a sinagoga, segundo o depoimento. Pittman enfrenta uma acusação federal de incêndio criminoso contra propriedade ligada ao comércio interestadual, crime que prevê pena de cinco a 20 anos de prisão, além de multa que pode chegar a US$ 250 mil. A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou ter orientado os promotores a buscar punições severas. Paralelamente, a promotora do condado de Hinds, Jody Owens, anunciou uma acusação estadual de incêndio criminoso de primeiro grau com agravante de crime de ódio, por motivação religiosa. A Congregação Beth Israel, a maior sinagoga do Mississippi, foi destruída por um incêndio criminoso no fim de semana, e um suspeito, Stephen Pittman, de 19 anos, foi preso Divulgação/Beth Israel Congregation O incêndio não deixou feridos entre membros da congregação ou bombeiros. Ao chegar ao local, equipes encontraram chamas saindo pelas janelas e todas as portas trancadas, segundo o chefe de investigações do Corpo de Bombeiros de Jackson, Charles D. Felton Jr. O fogo destruiu um escritório administrativo e a biblioteca da sinagoga, onde exemplares da Torá foram danificados ou destruídos. Fundada em 1860, a Congregação Beth Israel é a maior do Mississippi e a única em Jackson. O templo já havia sido alvo de um atentado a bomba da Ku Klux Klan em 1967, em retaliação ao apoio da comunidade judaica ao movimento pelos direitos civis, segundo o Instituto da Vida Judaica do Sul, que funciona no mesmo edifício. Apesar dos danos, a congregação informou que pretende manter suas atividades religiosas, possivelmente em igrejas locais, enquanto avalia os prejuízos e planeja a reconstrução.