Empresa brasileira lança vale-alimentação por PIX Reprodução Sem taxas e aceito na maioria dos comércios do Brasil. Foram esses motivos que incentivaram um empresário nascido em Santo Anastácio, interior de São Paulo, a criar um vale-alimentação por PIX. O benefício será lançado oficialmente agora em 2026. Ao g1, Leandro Colhado, fundador do Valepix e contador, relembrou como a ideia surgiu, em 2020, para beneficiar clientes e funcionários de todo o Brasil. Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 "A dor apareceu antes da empresa. Desde 2020, eu observava de perto a fricção do usuário no modelo tradicional de vale-alimentação e vale-refeição, como aceitação limitada, burocracia, informalidade e perda de valor", contou. Esse cenário trouxe uma nova perspectiva ao empresário, ao evidenciar que, nos modelos tradicionais de vale-alimentação, muitos trabalhadores acabam trocando o benefício por dinheiro com deságio, sofrendo descontos no valor recebido. O cartão não funciona onde ele precisa e porque o sistema, na prática, não foi desenhado para a vida real", afirmou. Início do projeto O projeto começou a sair do papel em 2023, a partir de estudos e do desenvolvimento do produto, e será lançado três anos depois. A partir de 28 de janeiro de 2026, a plataforma estará disponível para contratação em escala nacional. "A premissa era direta: corrigir a rota de um modelo que, em grande parte, ainda opera sob a lógica do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), criado em 1976, em um mercado que se aproxima de R$ 200 bilhões por ano e atende cerca de 22 milhões de trabalhadores formais", afirmou Leandro. Alguns dos motivos para o sistema não ter sido lançado antes foram as redes fechadas e o custo alto, conforme o empresário. "A virada veio no final de 2025, com o novo marco regulatório e o aumento da pressão por eficiência, concorrência e redução de taxas." A partir disso, ficou claro a Leandro que havia janela para executar um modelo baseado no PIX, com ampla aceitação, liquidação rápida e controle automatizado por Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) no momento da compra. "Além de resolver a experiência do usuário, o efeito econômico é relevante. O sistema atual sustenta taxas médias elevadas no comércio e prazos de recebimento que podem chegar a 30 dias. Estimativas citadas pelo mercado apontam um custo sistêmico próximo de R$ 10 bilhões por ano em ineficiências, valor que não vira melhoria para trabalhador nem para lojista." Leandro Colhado, empresário brasileiro, lança vale-alimentação por PIX Leandro Colhado/Divulgação Praticidade aos usuários Mesmo antes do lançamento oficial, Leandro já conta com quatro empresas clientes por meio do modelo de Minimum Viable Product (MVP) ou Produto Mínimo Viável, que corresponde a uma versão simplificada do produto ou serviço. Em comparação com outros serviços tradicionais já contratos por milhares de empresas, em que o trabalhador convive com a mensagem "não aceitamos vale-alimentação" explícita no caixa, no cardápio ou na placa, o benefício por PIX traz praticidade para os usuários, segundo o especialista. "Com a Valepix, essa frase tende a desaparecer da rotina do usuário, porque o benefício opera via PIX. Hoje o PIX é utilizado por mais de 160 milhões de brasileiros e está disponível em mais de 98% dos estabelecimentos comerciais do país", continuou Leandro. Nesse modelo, o benefício pode ser utilizado em qualquer comércio que aceite PIX, desde que o estabelecimento esteja cadastrado como sendo do setor de alimentação, conforme as regras do produto. Isso porque a empresa oferece diferentes serviços: Valepix Alimentar: o uso é direcionado para alimentação e refeição, como restaurantes e supermercados, com controle automatizado para manter o enquadramento do PAT, ampliando aceitação sem abrir risco de desvio; Valepix Livre: o colaborador tem liberdade total de uso, podendo utilizar em despesas como combustível, viagens e outras necessidades, conforme política da empresa e perfil de contratação; Valepix Município: a proposta é direcionar o benefício para circulação local, fortalecendo a economia do próprio município e conectando programas públicos e incentivos a uma infraestrutura moderna via PIX. Antes mesmo do lançamento, o empresário de Santo Anastácio já descreve a meta para 2025: atingir um milhão de usuários ativos. "No plano de expansão, o objetivo é alcançar 5 milhões de usuários em três anos de empresa, sustentado por escala comercial, ampliação da base de empresas e consolidação do portfólio de produtos", finaliza. Benefício de vale-almentação por PIX deve ajudar funcionários de empresas clientes que contratarem o serviço Reprodução/Freepik O que dizem os especialistas Ao g1, o especialista PhD em economia de Presidente Prudente (SP) Alexandre Bertoncello avalia que um benefício como esse pode trazer ganhos diretos aos trabalhadores que irão utilizá-lo. "O custo operacional é menor. Aquela taxa de 3,6% [cobrada por outras empresas] passa a ser atrativa, porque você não precisa ter uma estrutura grande por trás disso, diferente de uma questão do cartão. Você pode fazer tudo virtual e não necessariamente ter uma organização feita ali." Segundo o especialista em economia, o vale-alimentação por PIX também pode representar um custo menor para as empresas contratantes. Alexandre destaca ainda o impacto positivo que esse tipo de serviço pode gerar no mercado. "O principal impacto está na concorrência. O VR e outros que faziam isso, vocês vão ter outros 'players' entrando, e essa empresa pode ajudar de alguma forma a aumentar ainda mais a concorrência e, com isso, beneficiar compradores, que são as empresas, e os usuários ao mesmo tempo, os restaurantes. É uma forma de você aumentar a renda sem aumentar impostos", descreveu Alexandre. Especialista PhD em economia de Presidente Prudente (SP) Alexandre Bertoncello Alexandre Bertoncello/Divulgação Entender o contrato assinado Outro ponto importante destacado pelo PhD em economia foi a necessidade de atenção aos contratos oferecidos pela empresa, especialmente às chamadas "letras miúdas". "Para o trabalhador que vai receber isso em PIX, a regulamentação para o governo, que agora o PIX está sendo monitorado, pode ser de alguma maneira reconhecido pela receita de forma diferente." "Então, precisa entrar ao detalhe da lei para entender se os benefícios do Valepix serão considerados PIX, logo renda, serão monitorados e podem ser cobrados no Imposto de Renda ou se vão ser considerados bônus de um mesmo salário e que não vai incidir sobre os impostos, como acontece com vale-refeição", continuou Alexandre. Atualmente, o PIX é a forma de transação financeira mais utilizada no Brasil, segundo o especialista. "Isso tem o seu lado bom, porque reduziu os custos quando foram feitos." Entretanto, é importante saber que a movimentação de alto valor por PIX é monitorada pela Receita Federal, destacou Alexandre. "Que pode, de alguma forma, em algum momento, considerar aquilo como renda não declarada e pode cobrar posteriormente impostos sobre as pessoas", concluiu o PhD em economia. Advogada pós-graduada em direito e processo do trabalho Elca de Lima Elca de Lima/Arquivo pessoal Benefício considerado viável e seguro Já a advogada pós-graduada em direito e processo do trabalho Elca de Lima destacou ao g1 que a utilização do PIX como ferramenta de transferência do benefício é juridicamente viável e segura, "desde que a plataforma contratada atue como um arranjo de pagamento fechado ou monitorado." "A insegurança não reside no meio de pagamento (PIX), que é regulamentado pelo Banco Central, mas na destinação do recurso. Para que a empresa cliente não corra o risco de ver esse benefício caracterizado como 'salário por fora' ou 'salário in natura', o sistema do Valepix deve garantir que a transação seja restrita a estabelecimentos do setor alimentício (restaurantes e supermercados), mantendo o desvio de finalidade sob controle rigoroso", pontuou a advogada. Do ponto de vista jurídico e administrativo, o modelo é considerado vantajoso por alinhar a agilidade tecnológica à redução de custos operacionais, segundo a advogada especialista. "Estamos diante de uma evolução necessária. O fim do oligopólio das grandes bandeiras de voucher beneficia a economia local e simplifica a gestão de RH." Elca também destaca o alerta contra o uso do PIX como forma de "dinheiro em espécie na conta corrente". A legislação proíbe o pagamento do auxílio-alimentação em dinheiro livre para empresas inscritas no PAT. "Portanto, o diferencial de soluções como o Valepix deve ser a tecnologia de travamento por categoria, garantindo que o recurso seja utilizado estritamente para sua finalidade social: a saúde e nutrição do trabalhador." "Esta nova modalidade de vale-alimentação representa um salto em autonomia e poder de compra para o trabalhador", completou a advogada. Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM