Promotor aponta falhas em inquérito sobre morte de idoso agredido com voadora em bar em Votuporanga

Corregedoria da polícia investiga delegado de Votuporanga por suspeita de prevaricação O pedido de investigação do Ministério Público contra o delegado Marco Aurélio Tirapelli, de Votuporanga (SP), por prevaricação, traz críticas relacionadas à condução do inquérito que investigava a morte do idoso, de 70 anos, agredido com uma voadora em um bar da cidade, em agosto de 2025. O promotor do MP, José Vieira da Costa Neto, afirmou, na manifestação enviada à Corregedoria da Polícia Civil com o pedido de investigação, que o delegado "praticamente não investigou nada de concreto" sobre o caso, limitando-se a relatar o inquérito policial sem analisar com rigor as imagens de câmera de segurança que registraram o crime. Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp O g1 pediu uma nota de posicionamento ao delegado, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que a Corregedoria da Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar a conduta do delegado, que atua no 1º Distrito Policial. Em nota, a Delegacia Seccional de Votuporanga informou que aguarda o fim das apurações. Segundo o promotor, os vídeos mostram com nitidez o momento em que Milton de Oliveira Bolleis é atingido por uma voadora e, em seguida, por uma pedra de concreto, de cinco quilos, por Fernando Rodrigues Guerche, durante uma briga. Assista acima. Milton de Oliveira Bolleis, de 70 anos Reprodução Milton foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O laudo necroscópico, anexado ao processo, ao qual o g1 teve acesso, indica que ele morreu devido a traumatismo torácico, com múltiplas fraturas e insuficiência cardíaca. Os detalhes, na avaliação do MP, deveriam ter sido aprofundados na investigação. Ainda conforme o pedido, o promotor escreve que o delegado deixou de questionar as versões apresentadas por testemunhas que estavam no bar no momento do crime, uma vez que, sem confronto sobre o depoimento, mentiram. "Sem contar as inverdades narradas por elementos que estavam no bar quando do fato, viram toda a cena, foram filmados assistindo tudo e, sem questionamentos da autoridade policial, quando ouvidos, mentiram desavergonhadamente", escreveu o promotor. Entre os pontos destacados, está o depoimento do dono do bar, que, segundo o MP, ocultou a pedra utilizada no crime. O promotor afirmou que o delegado não apenas deixou de apreender o objeto como se recusou a recebê-lo quando localizado pela filha. A pedra foi levada até a delegacia pela mulher. No entanto, conforme relatado pelo promotor: "Estranhamente, ilicitamente, vergonhosamente, essa autoridade se recusou a receber a pedra". O pedido de investigação também menciona rumores sobre uma possível interferência externa no andamento do inquérito. O promotor cita boatos de que o suspeito do crime teria parentesco com policiais e advogados da cidade e afirma que essa hipótese deveria ser apurada para verificar se houve influência. Para o Ministério Público, há indícios de que o inquérito tenha sido encaminhado à Justiça com falhas, o que motivou o pedido de apuração por falta administrativa gravíssima, além da investigação criminal por prevaricação. Após a suspeita, outro delegado assumiu a condução do inquérito. Depois de praticar o crime, Fernando fugiu em um carro, sob efeito de álcool. Ele foi encontrado pela Polícia Militar e preso em flagrante. O suspeito vai ser julgado por júri popular por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima, e por dirigir sob influência de álcool. Caso foi registrado na Rua Toraguma Abé, no bairro Vila Paes Reprodução Fernando Rodrigues Guerche foi preso suspeito de assassinar Milton em Votuporanga (SP) Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM