Uso excessivo de telas preocupa especialistas e acende alerta para o desenvolvimento infantil

Uso excessivo de telas preocupa especialistas e acende alerta Uma pesquisa mostra que a maioria das crianças brasileiras tem contato diário com celulares, tablets ou televisão, muitas vezes por um período acima do recomendado. O levantamento foi feito por uma organização da sociedade civil voltada à causa da primeira infância, em parceria com o Datafolha. 78% das crianças de zero a três anos utilizam telas diariamente. Entre aquelas com idade de quatro a seis anos, o índice sobe para 94%. A pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o Brasil e integra um panorama divulgado em 2025. Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp O tempo excessivo de exposição preocupa profissionais da saúde, especialmente quando envolve crianças neurodivergentes. Especialistas de Sorocaba (SP) alertam que o uso prolongado pode comprometer o desenvolvimento, a socialização e favorecer quadros de dependência, além de interferir no aprendizado e na construção de vínculos afetivos. "O uso de telas pode aumentar o hiperfoco do autista. Não são todos os neurodivergentes que possuem hiperfoco, mas autistas têm um hiperfoco, e esse hiper já diminui a socialização da pessoa. Quando você coloca a tela junto, aí você atrapalha mais, e é mais difícil tirar se existe uma dependência", explica a psicóloga Letícia Nader. Uso prolongado de telas prejudica desenvolvimento infantil Reprodução/TV TEM A Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda o uso de telas para crianças de até dois anos e orienta limites rígidos para as demais faixas etárias. Ainda assim, muitas crianças passam duas horas ou mais por dia diante de dispositivos eletrônicos. É nesse contexto que histórias como a de Marcelo da Silva ganham destaque. Autista de grau 3 e não verbal, ele desenvolveu ainda bebê um hiperfoco em telas, passando longos períodos assistindo repetidamente ao mesmo conteúdo infantil. A mãe percebeu que o hábito prejudicava o desenvolvimento e a interação social do filho. "Conforme o tempo foi passando, a gente foi entendendo como era prejudicial essa questão das telas. A gente foi limitando até que hoje já tem um controle maior na questão do uso das telas com ele. Então, se ele assiste, ele tem um tempo certo, após a rotina diária dele de descanso", relata Cinthia da Silva. Marcelo da Silva se recupera do uso excessivo de telas Reprodução/TV TEM Com acompanhamento multidisciplinar, Marcelo passou a frequentar um espaço de atendimento especializado, onde brinca, interage e passa a maior parte do dia longe das telas. Segundo especialistas, é importante que os pais entendam que o desafio não está apenas em desligar os aparelhos, mas em construir uma relação mais equilibrada das crianças com o tempo, o corpo e o afeto. Brincadeiras ao ar livre, movimento e interação com outras pessoas são considerados fundamentais para o desenvolvimento saudável. "Os pais precisam lembrar, os professores, adultos de uma forma geral. Criança imita adulto. Então, para o pai regular, atender adolescente, ele tem que estar cuidando também do tempo dele. Ele tem que dar um exemplo", finaliza Letícia. Cinthia da Silva fala sobre filho que se recupera do uso excessivo de telas Reprodução/TV TEM Psicóloga Letícia Nader orienta sobre uso prolongado de telas na juventude Reprodução/TV TEM Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM