Mais de 388 milhões de cristãos enfrentaram algum nível de perseguição por causa da fé entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026 (LMP), divulgada pela organização Portas Abertas . O levantamento classifica os 50 países onde cristãos sofrem maior repressão e aponta crescimento da violência e da pressão religiosa em escala global. De acordo com o relatório, a perseguição extrema passou a atingir 15 países, dois a mais do que na edição anterior. A Síria e o Mali entraram nesse grupo. A Síria saltou da 18ª para a 6ª posição no ranking , enquanto o Mali aparece em 15º lugar, mesmo tendo caído uma posição em relação à lista de 2025. Lista Mundial da Perseguição aos Cristãos, da Portas Abertas | Foto: Divulgação/ Portas Abertas O Nepal voltou a integrar a LMP, na 46ª posição. O país não figurava no ranking desde 2022. A Portas Abertas registrou aumento de prisões, abusos físicos e mentais contra cristãos e mais ataques a igrejas. Síria entra no grupo dos países mais violentos Dos 50 países analisados, 34 apresentaram aumento da perseguição. O principal destaque foi a Síria, que teve alta expressiva nos índices de violência, com registros de ataques a igrejas, fechamento de escolas cristãs e assassinatos de cristãos. Depois da queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, milícias locais e grupos armados passaram a atuar com mais força no país. A Portas Abertas afirma que esse cenário ampliou a vulnerabilidade de minorias religiosas a intimidações, extorsões e ataques. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste “O ataque de junho em Damasco, que matou 22 cristãos, destruiu qualquer ilusão de segurança", afirmou Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas Brasil. "Essa realidade exige atenção urgente: quando a proteção estatal colapsa e a ideologia extremista ocupa o vazio, minorias religiosas pagam o preço. O mundo não pode virar as costas novamente.” “Quando o regime de Assad caiu, havia um otimismo cauteloso de que os cristãos da Síria pudessem encontrar alívio sob uma nova liderança", completou Matthew Barnes, comunicador sênior da Portas Abertas no Oriente Médio. "Em vez disso, vimos uma reversão devastadora: um atentado suicida, igrejas profanadas e cristãos forçados ao deslocamento. Essa dura realidade exige atenção internacional urgente.” A escalada da violência também contribuiu para a saída contínua de cristãos da Síria. A Portas Abertas estima que restem cerca de 300 mil cristãos no país, ante 1,1 milhão em 2015. Relatórios também indicam êxodo significativo em outras partes do Oriente Médio, como o Iraque e os Territórios Palestinos. Nigéria tem maioria das mortes de cristãos no mundo Na África Subsaariana, a perseguição alcançou níveis elevados. A região concentra 14 países na lista. Sudão, Nigéria e Mali são os únicos no mundo que atingiram a pontuação máxima no índice de violência da LMP. Cristãos mortos em 2025, segundo a Portas Abertas | Foto: Divulgação/ Portas Abertas A Nigéria concentrou a maior parte das mortes registradas no período. Dos 4,8 mil cristãos mortos no mundo por causa da fé, 3,4 mil eram nigerianos. O número representa 72% do total global e supera os 3,1 mil registrados no país no ano anterior. A Portas Abertas aponta que, há dez anos, a pontuação combinada de violência dos países subsaarianos representava 49% do máximo possível. Em 2026, esse índice chegou a 88%. O relatório também registra alta nos principais indicadores de violência contra cristãos. O número de mortos subiu de 4,4 mil em 2025 para 4,8 mil em 2026. Casos de cristãos abusados física ou mentalmente passaram de 54,7 mil para 67,8 mil. Os registros de estupro ou assédio sexual aumentaram de 3,1 mil para 4 mil. Os casos de casamentos forçados cresceram de 821 para 1,1 mil. As condenações por causa da fé subiram de 1,1 mil para 1,2 mil. O número de cristãos forçados a fugir ou se esconder dentro de seus países chegou a 201,4 mil. Aumento de 72% de cristãos mortos, faz da Nigéria o país mais mortal a cristãos | Foto: Divulgação/ Portas Abertas Os sequestros caíram para 3,3 mil, mas continuam em patamar elevado. O número de cristãos obrigados a deixar o próprio país diminuiu para 22.702. Os ataques a igrejas e propriedades recuaram de 7,6 mil para 3,6 mil, mas a organização afirma que a perseguição segue intensa, sobretudo na África Subsaariana e em partes da Ásia. Mais dados do relatório Apesar do cenário geral, o relatório aponta alguns avanços. Em Bangladesh, a pontuação de violência caiu cerca de 20% depois da destituição da presidente Sheikh Hasina, em agosto de 2024. O líder do governo interino, Muhammad Yunus, fez declarações públicas em defesa da liberdade religiosa. Na Malásia, um tribunal determinou a reabertura da investigação sobre o desaparecimento do pastor Raymond Koh, sequestrado em 2017. A Justiça concluiu que policiais estiveram envolvidos no caso e ordenou o pagamento de uma indenização de cerca de US$ 7,4 milhões. Leia também: "A diabólica perseguição aos cristãos", da Edição 285 da Revista Oeste Na América Latina, o relatório aponta maior monitoramento internacional sobre os riscos enfrentados por líderes religiosos. México, Nicarágua e Colômbia recuaram uma ou duas posições no ranking. Cuba subiu da 26ª para a 24ª posição, o que indica aumento da pressão sobre cristãos no país. O post Mais de 388 milhões de cristãos sofreram perseguição no mundo apareceu primeiro em Revista Oeste .