PF investiga controle oculto do Banco Master por Nelson Tanure em esquema bilionário

Transações financeiras envolvendo fundos controlados pelo empresário Nelson Tanure passaram a ser o foco da segunda fase da operação da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master, deflagrada nesta quarta-feira, 14. A investigação apura aportes expressivos realizados por Tanure, em especial por meio de fundos offshore como o Estocolmo, e levanta suspeitas de que essas operações tenham, na prática, lhe conferido o controle do banco dirigido por Daniel Vorcaro. + Leia mais notícias de Política em Oeste Documentos obtidos pela coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo , disponíveis na Junta Comercial de São Paulo, indicam que, desde 2020, os recursos somam R$ 2,5 bilhões. Os valores foram injetados na instituição por meio da aquisição de debêntures da Banvox, empresa de participações cujo único ativo é o próprio Banco Master. Como as debêntures permitem a quitação da dívida com ações, Tanure acabou controlando a Banvox através dos fundos Estocolmo e Aventti. https://www.youtube.com/watch?v=WwZ501SR2Rg Estrutura do esquema e suspeitas de ocultação Ao longo desse período, o Master ampliou sua participação em empresas ligadas direta ou indiretamente a Tanure, como a Oncoclínicas, a Alliança (antiga Alliar) e a Ambipar. A PF suspeita que a estruturação dessas operações, divididas em etapas, dificulte a identificação dos reais acionistas e favorece a ocultação de interesses, utilizando a Banvox como intermediária para capitalizar o banco. Na manhã da operação, Tanure foi alvo de mandado de busca e apreensão enquanto embarcava em voo doméstico no Aeroporto Internacional do Galeão, Rio de Janeiro . Leia também: "Toffoli, ‘il pizzaiolo’" , artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 304 da Revista Oeste Tanto a PF quanto o Ministério Público Federal (MPF) monitoram essas movimentações desde o ano passado, investigando possíveis irregularidades no aumento de capital do banco. Com o patrimônio elevado artificialmente, o Master passou a emitir mais CDBs, utilizando esses recursos para adquirir fatias de empresas de interesse de Tanure, como Gafisa, Oncoclinicas e Ambipar. Há ainda denúncias de que, no caso da Ambipar, Tanure teria desviado recursos para investir em outros negócios próprios. Controle acionário do Master A primeira operação relevante ocorreu em dezembro de 2022, quando a Banvox, então com patrimônio de R$ 600 milhões, emitiu R$ 700 milhões em debêntures compradas pelo fundo Estocolmo. Esse movimento praticamente conferiu a Tanure o controle do Master, já que os fundos ligados a ele detinham, juntos, 55,37% da Banvox. Em agosto de 2024, diante de dificuldades do banco em garantir liquidez ao Banco Central (BC), a Banvox passou por cisão: Maurício Quadrado deixou a sociedade e o comando ficou com a DV Holding, controlada por Daniel Vorcaro. Laudos dessa cisão mostram que a Banvox detinha 22% do Master e havia investido R$ 2,5 bilhões por esse percentual, sugerindo um valor de mercado de R$ 11,2 bilhões para o banco. Contudo, em março de 2025, proposta feita pelo BRB para adquirir 58% do Master ofereceu R$ 2 bilhões, o que estimaria o valor do banco em torno de R$ 3,44 bilhões. Diante disso, a quantia injetada por Tanure ultrapassaria 50% do valor do banco, reforçando a suspeita de que ele teria se tornado controlador de fato. A PF busca esclarecer essas operações para identificar os reais responsáveis por eventuais fraudes envolvendo o Banco Master e compreender a estrutura de controle do banco diante dos aportes realizados pelos fundos de Tanure. O post PF investiga controle oculto do Banco Master por Nelson Tanure em esquema bilionário apareceu primeiro em Revista Oeste .