Motoristas protestam contra extorsão e assassinatos em Lima

Centenas de empresas de transporte de Lima paralisaram, nesta quarta-feria (14), suas atividades em rejeição à extorsão do crime organizado e aos assassinatos de motoristas, após novos ataques e o assassinato de um motorista nos primeiros dias do ano. Os motoristas desligaram os motores em vários distritos da capital peruana para protestar contra a insegurança e a inoperância do governo em conter a violência, apesar de que há três meses vigora o estado de exceção e os militares patrulham as ruas junto com a polícia. "O protesto é pela insegurança pública. Tivemos dez ataques em 11 dias do ano, queremos proteger nossos motoristas", disse Martíns Ojeda, dirigente do sindicato Transportistas Unidos, à AFP. "Já quase não temos motoristas (...), não querem dirigir um veículo porque sua vida fica em risco", lamentou. Sob um forte aparato policial, os motoristas marcharam, em Lima, com cartazes contendo mensagens de repúdio aos grupos criminosos. A crise de insegurança precipitou a destituição da mandatária Dina Boluarte pelo Congresso em outubro do ano passado. Seu sucessor, José Jerí, acionou a medida de exceção em 22 de outubro, reforçando o controle policial nas ruas com militares. Mais de 50 condutores foram assassinados em 2025, de acordo com a Anitra, o principal sindicato do setor que reúne 460 empresas em Lima e no porto vizinho de Callao. Em 2025, o Peru registrou 25.196 denúncias de extorsão, 20% a mais do que em 2024, segundo a polícia. AFP