FOLHAPRESS Agentes do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, fizeram nesta quarta-feira (14) uma operação de busca na casa de uma repórter do jornal The Washington Post como parte de uma investigação sobre o possível compartilhamento de segredos de Estado. A ação, confirmada pelo Departamento de Justiça, foi revelada pelo jornal The New York Times, que classificou o evento de "extremamente raro" mesmo em apurações relacionadas a vazamentos de informações sigilosas. A secretária de Justiça, Pam Bondi, afirmou sem apresentar provas que a jornalista obteve e divulgou informações confidenciais e vazadas de forma ilegal. Ela afirmou ainda que a operação ocorreu a pedido do Departamento de Defesa americano. A repórter em questão é Hannah Natanson, que tem acompanhado os esforços do governo de Donald Trump para demitir servidores federais e redirecionar a máquina pública para a execução de sua agenda. Segundo pessoas a par do caso citadas pelo New York Times, é comum em investigações do tipo a análise de registros telefônicos ou de emails, não um mandado de busca na casa de um profissional da imprensa. Um porta-voz do Washington Post afirmou que o jornal está acompanhando e avaliando a situação de perto. Investigadores informaram à repórter que ela não é o alvo da apuração, ainda de acordo com o Washington Post. Natanson estava presente durante a busca em sua residência, no estado da Virgínia. A investigação teria como foco Aurelio Perez-Lugones, especialista em tecnologia de uma empresa contratada pelo governo americano. Ele foi acusado de ter acessado relatórios de inteligência sigilosos e levado parte desse material para casa. Em textos publicados por Natanson, a jornalista relata conversas com servidores que demonstravam consciência dos perigos envolvidos nos vazamentos. Um funcionário do Departamento de Defesa que não foi identificado afirmou que "divulgar a verdade e os fatos é muito importante", apesar dos riscos. A ação do FBI provocou reação de especialistas em liberdade de imprensa. Jameel Jaffer, diretor do Knight First Amendment Institute, da Universidade Columbia, classificou o episódio de profundamente preocupante e alertou para o "efeito intimidador" que ele pode gerar sobre a atividade jornalística. O caso ocorreu após o governo Trump ter revertido, no ano passado, uma política adotada na gestão do democrata Joe Biden que restringia a possibilidade de o Departamento de Justiça buscar dados de jornalistas em casos relacionados a vazamentos. Ao anunciar a mudança, Pam Bondi afirmou que a medida era necessária para proteger informações "sigilosas, privilegiadas e sensíveis". Ela acrescentou que o governo não toleraria divulgações não autorizadas que prejudicam políticas presidenciais e instituições públicas. Desde o início de seu primeiro mandato, em 2017, Trump reclama de vazamentos com frequência. Ele próprio chegou a ser indiciado por manuseio indevido de documentos sigilosos após deixar a Casa Branca, num processo que depois foi arquivado. No fim de seu primeiro governo, o Departamento de Justiça solicitou registros telefônicos e de emails de jornalistas do Washington Post, The New York Times e da CNN, mas, até então, não havia registro de buscas em residências de repórteres ou de apreensão direta de seus dispositivos.