A Polícia Federal (PF) apurou que o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, chegou a registrar ao menos três planos de voo distintos antes de ser preso, na noite de 17 de novembro, quando se preparava para deixar o país. Para os investigadores, a multiplicidade de rotas reforça a suspeita de que o ex-banqueiro pretendia fugir do Brasil. Vorcaro foi preso quando embarcava para Dubai . Ele alegou que o objetivo da viagem era concluir a venda do Master a investidores árabes, em negociação anunciada em parceria com o Grupo Fictor. + Leia mais notícias de Política em Oeste Segundo relatos de integrantes da PF ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo sob anonimato, as informações sobre os planos de voo integram o inquérito e enfraquecem a versão apresentada pela defesa de Vorcaro. Os advogados sustentam que não houve tentativa de fuga, que existia uma negociação em andamento e que o Banco Central (BC) teria agido de forma precipitada ao decretar a liquidação do banco. São Paulo (SP), 19/11/2025 - Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Antes da prisão, Vorcaro já vinha sendo monitorado pela PF, que identificou indícios de uso de um helicóptero para dificultar eventual rastreamento. Em nota enviada à Folha , a defesa classificou como especulativas as informações sobre uma suposta tentativa de fuga. “Na verdade, [ Vorcaro ] buscava — e continuará buscando — soluções de mercado hígidas para o conglomerado Master, com boa-fé, transparência e deferência ao regulador”, diz a nota. Os advogados também disseram que Vorcaro comunicou ao BC diversas tratativas para a venda das instituições do grupo e informou que, no próprio dia 17, seria anunciada a venda do banco à Fictor Holding Financeira. A defesa, contudo, não respondeu aos questionamentos sobre a existência de diferentes planos de voo identificados pela PF. Desde a prisão, Vorcaro mantém a posição de que o BC deveria ter analisado a proposta da Fictor antes de optar pela liquidação do Master. PF faz buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro | Foto: Divulgação/Polícia Federal PF suspeita de vazamento de informações sobre liquidação do Master Na manhã de 18 de novembro, poucas horas depois do anúncio oficial da liquidação pelo BC, uma reportagem da Folha já apontava que investigadores desconfiavam que a proposta de compra pela Fictor, divulgada no fim do dia anterior, teria sido uma encenação para viabilizar a saída do banqueiro do país. À época, pessoas ligadas às apurações relataram ao jornal que a ordem de prisão foi assinada às 15h do dia 17, mesmo dia em que a Fictor anunciou a intenção de adquirir o Master com um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. Para os investigadores, houve vazamento tanto da ordem de prisão por suspeita de fraudes contra o sistema financeiro quanto da decisão do BC de liquidar o banco. Diante do alerta, Vorcaro teria acelerado a simulação da venda para criar uma justificativa formal para viajar ao exterior, segundo a tese da investigação. O jato particular em que ele embarcaria tinha Malta como destino inicial, apontado como parada técnica antes dos Emirados Árabes Unidos. Jatinho particular que seria usado por banqueiro para deixar o país, segundo a Polícia Federal | Foto: Divulgação/PF Um comunicado divulgado pela Fictor na última segunda-feira, 12, reforçou essas suspeitas, de acordo com duas fontes ouvidas pela reportagem. No texto, a empresa reconheceu dificuldades de liquidez para honrar compromissos e afirmou que pretende regularizar a situação até 12 de fevereiro. Para autoridades que acompanham o caso, esse cenário financeiro indica que a Fictor não teria condições de comprar o Master. A reunião da diretoria do BC que decidiu pela liquidação do banco também ocorreu no dia 17. Os advogados de Vorcaro reiteram que ele não pretendia fugir e afirmam que a viagem a Dubai tinha como objetivo tratar da operação com a Fictor. Antes da prisão, Vorcaro chegou a participar de uma reunião virtual com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, fato citado pela defesa para afastar o risco de fuga. A PF cumpriu novos mandados em endereços ligados ao banqueiro nesta quarta-feira, 17. Integrantes da corporação avaliam que já foram reunidas provas consistentes para a formação de conclusões sobre o envolvimento dos investigados no esquema. Um agente, sob anonimato, afirmou que essa etapa da apuração pode ser concluída depois dos depoimentos previstos para o fim de janeiro e o início de fevereiro. O post Vorcaro tinha pelo menos 3 planos de voo antes de ser preso, diz PF apareceu primeiro em Revista Oeste .