Ibovespa renova máxima histórica, reagindo a pesquisa eleitoral e tensão no Oriente Médio

O principal índice da Bolsa brasileira renovou a máxima histórica nesta quarta-feira, avançando 1,91%, aos 165.074 pontos, em número preliminar. Para analistas, a pesquisa eleitoral Genial/Quaest, divulgada mais cedo, mostrando a diminuição de intenções de voto entre Lula e candidatos de direita num eventual segundo turno contribuiu com a alta do Ibovespa. Quem é Daniel Vorcaro? Dono do Banco Master foi novamente alvo de operação da Polícia Federal Por que Trump pressiona o líder do banco central dos EUA? Custo da casa própria para o americano ajuda a explicar A valorização de metais e do petróleo por conta das tensões geopolíticas no Irã também contribuiu com a alta de ações ligadas a esses minerais no índice, como Petrobras e Vale, que tiveram o maior avanço diário desde abril de 2025. Divulgada pela manhã, a pesquisa Genial/Quaest mostrou a diminuição do intervalo nas intenções de voto do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve concorrer à reeleição, aos candidatos de direita nos cenários analisados. Para Fernando Siqueira, chefe da pesquisa da Eleven Financial, a nova rodada de pesquisas mostrou que há maiores chances de alternância de poder: — O mercado viu com bons olhos a possibilidade de transição nas eleições. Está claro que será uma eleição disputada, dividida, mas tem chance de candidato de direita vencer — ele diz. Para o mercado financeiro, afirma Siqueira, um candidato da oposição é visto com bons olhos para domar a condução dos gastos públicos e reverter a crescente trajetória da dívida pública. Documentos do Tesouro Nacional divulgados na última segunda-feira mostram que a relação entre tudo que o país deve pode alcançar 79,3% do PIB, tudo o que a economia brasileira produziu, no ano passado. Esta relação pode aumentar para 83,6% em 2026. — O último mandato do Lula não está sendo positivo do lado fiscal. Quando há chances de alternância, os investidores tendem a receber positivamente — ele diz. Com um aumento da dívida pública, há um aumento na desconfiança de que o país irá honrá-la. Como consequência, há fuga de dólares, aumento no valor do câmbio e impacto na inflação, que é “remediada” com a necessidade de juros mais altos. Isso dificulta a obtenção de crédito pela indústria e pela população para consumir, o que impacta diretamente no crescimento do país e nos resultados das empresas. Initial plugin text Os papéis de bancos também se valorizaram em bloco hoje na Bolsa. Tensão geopolítica no radar A possibilidade de intervenção americana no Irã, diante das manifestações com o regime do Oriente Médio, também promoveram uma valorização de commodities no mercado internacional, avalia Siqueira. O movimento contribuiu com a alta das empresas correlatas na Bolsa brasileira. — Commodities sempre oscilam muito, mas, vendo o preço delas melhorando, os lucros das empresas se tornam maiores do que no ano passado — ele diz. O barril do tipo Brent subiu 1,6% em Nova York, aos US$ 66,52, enquanto o WTI, outra referência, avançou 1,42%,aos US$ 62,02. Metais como o cobre também subiram, alcançando hoje os US$ 13.164 por tonelada métrica na Bolsa de Metais de Londres. Com o movimento, as ações da Petrobras e da Vale tiveram o maior avanço diário desde abril do ano passado. Outras ações dos setores também subiram. Os dados da balança comercial chinesa divulgados hoje, demonstrando resiliência do país asiático, também contribui com a maior demanda. Dólar sobe O dólar encerrou a quarta-feira em alta de 0,49%, cotado a R$ 5,40. No mesmo horário, o dólar medido pelo índice DXY, que compara a divisa frente a outras seis moedas fortes, perdia 0,06%. O dia foi marcado pela volatilidade e, durante a manhã, chegou a valer R$ 5,42 por conta de notícias de suspensão de vistos de imigração para brasileiros. Para Filipe Garcia, chefe da mesa de câmbio do C6 Bank, a moeda ainda opera em certo equilíbrio, entre os R$ 5,35 e R$ 5,40, e que as notícias eleitorais devem impactar mais diante da aproximação do pleito: — Cada vez que a gente vai se aproximando das datas importantes, como a data de descompatibilização, até o fim de março, vai fazer mais peso. É um cenário incerto, com pré-candidaturas, ainda nada oficial — ele diz. Mais cedo, a divulgação de dados da economia americana adiaram a perspectiva de corte no juro americano de abril para junho.