Gonet dá aval a visita religiosa a Bolsonaro, mas discorda de SmartTV em cela na PF

ANA POMPEU FOLHAPRESS O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou nesta quarta-feira (14) de forma favorável ao pedido de Jair Bolsonaro (PL) para ter assistência religiosa na prisão, mas contrária ao de acesso a uma SmartTV. O PGR diz, no entanto, ser possível autorizar solução alternativa para acompanhamento do noticiário. "O acesso a tv a cabo, se for logisticamente viável e desde que limitado a canais que não admitam interação direta ou indireta com terceiros, não apresenta inconsistência com a legislação punitiva", disse o PGR. Ainda, ele afirmou que os custos envolvidos com eventual autorização pelo relator, Alexandre de Moraes, devem ser arcados pelo ex-presidente. Gonet ainda não se manifestou sobre o novo pedido de concessão de prisão domiciliar feito nesta terça (13) pela defesa do ex-presidente. O ex-presidente queria especificamente uma do tipo com acesso à internet. A defesa de Bolsonaro afirmou à corte que, ainda que o pedido fosse exclusivamente para esse tipo de aparelho, se destinaria a acesso a informação, e não a redes sociais. "O direito à informação constitui expressão direta da dignidade da pessoa humana e integra o conjunto mínimo de garantias asseguradas àquele que se encontra sob custódia estatal", disse a defesa. Gonet avaliou que o pedido não é razoável, já que a conexão com a internet inviabilizaria o controle do uso de redes sociais e de comunicação com terceiros. No documento enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), Gonet também anui com as demandas pela adesão ao programa de atividades de leitura para redução de pena e por uma vistoria ao local de custódia dos presos na Superintendência Regional da Polícia Federal por representante da Comissão de Direitos Humanos e Participação Legislativa do Senado, pedido pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). O ex-presidente quer receber visitas do bispo Robson Rodovalho e o pastor Thiago Araújo Manzoni. Segundo Gonet, eles só poderão ser recebidos como lideranças religiosas, e não como agentes políticos. Para a concessão da "assistência religiosa", a defesa cita os encontros que aconteceram "sem que houvesse qualquer registro de incidente" durante a prisão domiciliar do ex-presidente. Na quinta (8), Bolsonaro pediu para entrar no programa de redução de pena pela leitura. Prevista no artigo 126 da Lei de Execuções penais, a remição por estudo pode ser obtida, no caso do ex-presidente, a partir da leitura de livros presentes em uma lista da Secretaria de Educação do DF. O abatimento dos dias (4 por livro) depende da apresentação de uma resenha sobre a obra.