FOLHAPRESS A Bolsa brasileira avançou 1,91% nesta quarta-feira (14) e renovou o recorde histórico de fechamento ao marcar 165.074 pontos, segundo dados preliminares. O recorde anterior era de 164.455 pontos, do dia 4 de dezembro de 2025. O Ibovespa também renovou a máxima durante o período de negociações: no pico do pregão, chegou a 165.105 pontos. O desempenho teve como apoios positivos a Vale e a Petrobras, as duas empresas de maior participação no índice, que avançaram 4,88% e 2,56%, respectivamente.. A nova pesquisa Genial/Quaest sobre a corrida pela Presidência pautou as negociações nas mesas de operação, bem como o noticiário do exterior. Tensões geopolíticas e a suspensão da emissão de vistos para os Estados Unidos por parte do governo Donald Trump acirraram temores entre os operadores. Internamente, os desdobramentos de uma nova operação no caso Banco Master também figuraram entre os destaques do dia. No dólar, o movimento foi o oposto. A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 0,48%, cotada a R$ 5,400. A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta manhã foi vista com bons olhos pelo mercado. Apesar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguir na dianteira da corrida presidencial, a vantagem do petista em relação ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, diminuiu em um eventual segundo turno. A diferença para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também caiu, e o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro se consolidou no segundo lugar na corrida. A vantagem de Lula sobre Tarcísio caiu de 10 para 5 pontos; sobre Flávio, de 10 para 7 pontos. O mercado está se tornando cada vez mais sensível ao pleito deste ano. Operadores têm repetido que, mais do que o nome do candidato eleito, o que importa é como será a condução fiscal do governo de 2027. "O mercado é apolítico, o que ele precifica é taxa de juros e o quanto ela afeta os ativos de risco. Hoje, o juro restritivo de 15% se deve ao fiscal mais expansionista. E a expectativa é a de que a oposição traga um fiscal com mais austeridade", afirma Rubens Cittadin Neto, especialista em renda variável da Manchester Investimentos. O nome do governador de São Paulo segue como o favorito da Faria Lima para a disputa. A leitura é que Tarcísio conseguiria concentrar o eleitorado de direita, sem o ruído que o sobrenome Bolsonaro carrega na seara política. Tarcísio ainda teria uma agenda mais avessa a aumentar os gastos públicos, o que daria mais previsibilidade sobre os rumos da economia. O aumento das despesas poderia, por exemplo, forçar uma manutenção da taxa Selic em patamares elevados, já que teria o potencial de afetar a dinâmica da inflação. Os investidores também monitoram o cenário geopolítico. A escalada de tensões entre os Estados Unidos e países como Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, e Irã tem despertado temores de um conflito militar amplo. Sob ameaça direta de um ataque dos EUA, o governo iraniano aumentou a pressão sobre os manifestantes que desafiam seu regime teocrático há duas semanas e meia. Ao mesmo tempo, se prepara para uma ação militar e ameaça retaliação. Já a Dinamarca afirmou nesta quarta que reforçará sua presença militar na Groenlândia e que mantém diálogo com a Otan, aliança militar ocidental. "Devido à ausência de novos gatilhos, mas manutenção ainda das tensões geopolíticas e incertezas sobre o cenário eleitoral brasileiro, os ativos operam com mais volatilidade nesta quarta", diz Marcio Riauba, chefe de inteligência de mercado da StoneX. As tensões ainda estimulam a "busca por ativos seguros, levando o ouro a operar próximo da máxima histórica", diz Riauba. No front macroeconômico, dados da inflação ao produtor dos EUA mostraram que os preços aceleraram em novembro em meio ao aumento no custo da gasolina. As empresas, porém, parecem estar absorvendo parte das tarifas sobre as importações, com redução das margens comerciais. O avanço de 0,2% na base mensal, em linha com as expectativas, consolidou a perspectiva de manutenção da taxa de juros norte-americana na próxima reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central do país), no fim do mês. Na ferramenta CME FedWatch, 95% dos operadores apostam que a taxa continuará na banda de 3,5% e 3,75%. Os 5% restantes veem como provável um corte de 0,25 ponto percentual. O Fed esteve no centro das mesas de operação também por outro motivo nesta semana. Procuradores federais abriram uma investigação criminal contra Powell sobre a reforma da sede do banco central, em Washington. O inquérito, conduzido pela Procuradoria dos EUA de Colúmbia, busca apurar se Powell mentiu ao Congresso sobre o escopo das obras. A iniciativa do governo norte-americano foi interpretada nos mercados globais como uma tentativa de pressionar o Fed por novos cortes de juros, o que reacendeu temores sobre a independência da autoridade monetária. A escalada de tensões entre Powell e Donald Trump fez com que a maioria dos economistas não esperasse um corte antes do fim do mandato de Powell, em maio. Segundo Ian lopes, economista da Valor Investimentos, os mercados valorizam bancos centrais independentes. "O Fed é a instituição financeira mais importante do mundo e, diante desse ruído, investidores acabam vendendo a moeda americana e ativos alternativos usados como reserva de valor, como ouro e prata, acabam batendo recordes". Além disso, o noticiário local conta também com uma nova operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na investigação sobre suspeitas de fraude envolvendo a instituição financeira. Agentes realizam buscas contra o ex-banqueiro, que cumpre prisão domiciliar em São Paulo. São 42 mandados de busca e apreensão nesta nova fase da operação, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões. São alvos endereços ligados a Vorcaro, a parentes dele e a empresários, incluindo João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, gestora investigada no caso Master e suspeita envolvimento com o crime organizado, e o empresário Nelson Tanure. Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso quando se preparava para deixar o país, de jatinho, com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele foi solto horas depois.