Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira, 14, indicam que o Irã interrompeu as mortes de manifestantes e não planeja execuções no momento. Trump afirmou ter recebido informações confiáveis sobre a suspensão das mortes e execuções no país. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste "Fomos informados de que as mortes no Irã estão cessando e que não há planos de execuções", afirmou o presidente norte-americano no Salão Oval da Casa Branca. "As mortes pararam. As execuções pararam." "Não há nenhum plano para execuções, nem haverá nenhuma execução", completou. "Recebi essa informação de uma fonte confiável. Vamos nos informar. Tenho certeza de que, se isso acontecer, ficarei muito chateado." https://www.youtube.com/watch?v=ZQLqPawZxao Contexto das tensões e possíveis ações dos EUA O anúncio ocorre enquanto o governo dos EUA estuda possíveis respostas à repressão aplicada pelo governo iraniano contra manifestantes anti-regime, incluindo a hipótese de ações militares. Recentemente, Trump manifestou apoio aos protestos e afirmou que "a ajuda está a caminho", além de alertar o Irã para que não execute manifestantes detidos. Leia também: "As vozes de quem fugiu da ditadura" , artigo de Rachel Díaz publicado na Edição 304 da Revista Oeste Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency (Hrana), ao menos 2.400 pessoas morreram desde o início da repressão no mês passado. Organizações de direitos humanos também denunciaram que Erfan Soltani, manifestante de 26 anos, teria sido condenado à morte, de acordo com familiares e o Departamento de Estado dos EUA. Os protestos contra o governo iraniano começaram no fim de dezembro e constituem o maior desafio enfrentado pelo regime em vários anos, com uma onda de insatisfação nacional. Queda nos protestos do Irã e desafios à comunicação Segundo levantamento do Instituto para Estudo da Guerra, o número de cidades com protestos caiu drasticamente: de 156, em 27 províncias, para apenas 7 e 6, respectivamente, na terça-feira 13. Organizações de direitos humanos divergem sobre o total de vítimas; a ONG Hrana, dos EUA, contabiliza 2.403 mortos até terça, enquanto a Iran Human Rights, da Noruega, aponta 3.428 até esta quarta-feira, 14. O blecaute informativo dificulta a confirmação dos dados, já que relatos indicam operações policiais para apreender antenas de Starlink, usadas para burlar o bloqueio. Mesmo com menor alcance, vídeos recentes mostram milhares de pessoas nas ruas de Teerã na noite de terça-feira, um dia depois de manifestações pró-governo e do funeral de policiais mortos na repressão. O acesso limitado à internet e celular prejudica a articulação dos protestos, que seguem sem lideranças identificadas, segundo ativistas. No cenário diplomático, diversos países, incluindo Índia e nações europeias, recomendaram a saída imediata de seus cidadãos do Irã diante do risco de escalada militar. Tensões militares e movimentos diplomáticos Os EUA retiraram parte do seu pessoal de bases no Oriente Médio, como Al-Udeid, no Qatar, mas não há movimentação expressiva de tropas até o momento. O Irã comunicou, segundo a Reuters, que atacará bases norte-americanas na região caso seja alvo de ações militares. Trump dá sinais de que uma possível ofensiva seria restrita, talvez com ataques aéreos cirúrgicos, para evitar vítimas civis. O aiatolá Ali Khamenei seria um alvo estratégico, mas autoridades norte-americanas avaliam o risco de fortalecer a Guarda Revolucionária se optarem por esse caminho. O comandante do braço aeroespacial da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, declarou nesta quarta-feira que a força está "no auge da prontidão", assegurando que as defesas aéreas da capital foram restabelecidas depois da guerra com Israel e que as forças atuais superam as de junho passado. Apesar das declarações iranianas, analistas consideram improvável que o país tenha recuperado rapidamente sua capacidade, já que, durante o último conflito, a superioridade aérea israelense ficou evidente e os mísseis balísticos iranianos tiveram desempenho aquém do esperado. Atuação internacional e oposição ao regime No campo diplomático, o Irã buscou contato com países próximos dos EUA, como Qatar, Emirados Árabes Unidos e Turquia, para informar que a situação estaria sob controle. Já aliados norte-americanos, segundo o The Wall Street Journal , expressam preocupação reservada sobre os riscos de uma guerra para a estabilidade regional e o mercado de petróleo. Entre os opositores do regime, Reza Pahlavi, filho do último xá deposto em 1979, voltou a pedir mobilização constante nas redes sociais. Pahlavi tornou-se um nome de consenso entre manifestantes, apesar de sua atuação política ter sido historicamente discreta. O post Trump afirma que o Irã parou execuções de manifestantes apareceu primeiro em Revista Oeste .