Bolsonaristas culpam Lula pela suspensão de vistos americanos para cidadãos brasileiros

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro responsabilizaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela decisão do governo dos Estados Unidos de suspender, por tempo indeterminado, a concessão de vistos de imigração para cidadãos do Brasil. Em publicações nas redes sociais, parlamentares e influenciadores bolsonaristas classificaram a medida, que também suspendeu o visto de outros 74 países, como um sinal de deterioração da imagem internacional do país e passaram a associá-la diretamente à condução da política externa do atual governo. 'CEO para o Brasil': Bolsonaristas criticam fala de mulher de Tarcísio Pressionada por Malafaia: Damares expõe lista de igrejas e líderes evangélicos envolvidos na CPI do INSS A suspensão foi anunciada nesta quarta-feira pelo Departamento de Estado americano e começa a valer a partir de 21 de janeiro. Segundo um memorando interno revelado pela Fox News Digital e confirmado pela Casa Branca, a orientação é para que consulados deixem de processar pedidos de vistos de imigração de países cujos cidadãos apresentariam risco de se tornarem um “encargo público”, com base na legislação migratória dos EUA. O congelamento ocorre no contexto do endurecimento da política migratória do segundo governo Donald Trump. Entre os bolsonaristas, o principal alvo das críticas foi o presidente Lula e o assessor especial para Assuntos Internacionais, Celso Amorim. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que a inclusão do Brasil ao lado de países como Somália, Afeganistão, Irã, Iraque, Nigéria e Iêmen não é “um detalhe burocrático”, mas um “sinal político grave”. Para ele, a decisão reflete o “rebaixamento internacional do Brasil” e seria consequência direta da atual diplomacia brasileira. Em tom semelhante, o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo destacou que a medida exporia a real percepção da diplomacia americana sobre o Brasil. Segundo ele, a política externa dos EUA sob Trump é “fluida” e orientada por conveniências momentâneas, o que explicaria decisões duras mesmo em contextos de elogios públicos entre líderes. Parlamentares da base bolsonarista também reforçaram a narrativa. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) afirmou que a justificativa americana estaria relacionada ao temor de que imigrantes se tornem um fardo para os EUA e atacou Lula, dizendo que o presidente “quebra o país” e se alia a ditaduras. Já o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) declarou que o Brasil teria sido inserido em uma suposta lista de “países ditadores”, classificando o episódio como “muito grave” para a cooperação diplomática. A lista divulgada no memorando inclui países de diferentes regiões e perfis econômicos, como Colômbia, Uruguai, Albânia e Jamaica, além de nações que já enfrentavam restrições severas à imigração para os EUA. Autoridades americanas afirmaram que a medida se baseia em critérios técnicos previstos na legislação migratória, especialmente a chamada regra do “encargo público”, que avalia fatores como idade, situação financeira e histórico do solicitante.