Vera Barreto Leite Valdez, pioneira da moda e atriz brasileira, morre aos 89 anos

Vera Barreto Leite Valdez, atriz e modelo reconhecida por sua atuação no Teatro Oficina de São Paulo e por ser considerada a primeira top model do Brasil, faleceu nesta quarta-feira (14), aos 89 anos. A notícia foi divulgada pelas redes sociais da companhia teatral, que expressou tristeza pela perda. "Hoje à tarde Vera partiu. Voa, Vera! Etherna! Muito amor por essa maneca", escreveu o Teatro Oficina na publicação. Vera Barreto Leite Valdez Reprodução/Divulgação Em 2024, o Teatro Oficina apresentou o monólogo Vozes Humanas, homenagem aos 88 anos de Vera. Na peça, a atriz interpretava uma mulher lidando com os desafios de uma separação amorosa. Vera Barreto Leite Valdez GettyImages Relembre a trajetória de Vera Segundo o Museu Brasileiro de Rádio e Televisão, Vera trabalhou como modelo de Christian Dior (1905-1957) na França e teve um relacionamento com o cineasta Ruy Guerra, 94. No Brasil, colaborou como modelo para o estilista paraense Dener Pamplona de Abreu (1937-1978) e participou da fundação da TV Globo, em 26 de abril de 1965. Reconhecida como uma das primeiras brasileiras a conquistar destaque internacional na moda, Valdez estreou nas passarelas de Schiaparelli em 1952. Em 1954, trabalhou para Christian Dior e Coco Chanel, tornando-se uma das preferidas de Coco e desfilando para a maison até o último desfile antes do falecimento da estilista, em 1971. Em 2014, Vera participou de um ensaio para a Vogue, posando ao lado da atriz Laura Neiva, que foi a primeira fidèle da Chanel no Brasil. Coco criava suas roupas diretamente no corpo da brasileira. A proximidade entre elas era tão grande que, de vez em quando, Mademoiselle chegava a colocar Vera de castigo. “Eu adorava, porque podia ouvir toda a fofoca entre Chanel e sua melhor amiga, a baronesa Maggy van Zuylen”, revelou Vera à Vogue naquele ano. Entre 1956 e 1958, Vera voltou ao Brasil, onde se casou, trabalhou como manequim na tradicional Casa Canadá e atuou no teatro. Sempre que tinha oportunidade, ligava para Coco, que a chamava de “meu pequeno pássaro das ilhas”. Em 1959, Chanel reassumiu seu lugar na alta-costura, após reabrir seu ateliê, fechado durante a Segunda Guerra Mundial. Ao chegar novamente à cidade, Vera avisou Mademoiselle e foi imediatamente chamada ao lendário apartamento na rue Cambon para um almoço em que definiram seu retorno à maison - época em que cada maison mantinha seu próprio time de manequins, que serviam tanto para provas quanto para desfiles. Durante essa segunda fase com Chanel, de 1959 a 1963, Vera tornou-se a manequim-vedete, estrela de todos os desfiles, incluindo o famoso desfile exclusivo para Greta Garbo: “Acho que foi a única vez que fiquei em uma passarela horas a fio sem querer ir embora”, recordou Vera. Agora mãe, a jovem encantou ainda mais Chanel, que se apaixonou também por sua filha. Initial plugin text No Brasil, Vera consolidou sua trajetória nos palcos, com atuações em montagens como Bacantes (1986) e O Rei da Vela (2018), no Teatro Oficina. No cinema nacional, também participou de produções como As Cariocas (1966) e O Homem Nu (1968). Vera Barreto Leite Valdez Reprodução/Divulgação No cinema, atuou sob direção de Roberto Santos em O Homem Nu (1997) e de Walter Hugo Khouri em As Cariocas (1966). Sua última participação nas telonas aconteceu em 2023, nos filmes A Alegria é a Prova dos Nove, Feira da Ladra e Tia Virgínia. Vera Barreto Leite Valdez Reprodução/Divulgação No final dos anos 1950, casou-se com o ator Luís Linhares, com quem teve a filha Paula. Em seu relacionamento com Pedro Moraes, jornalista e filho de Vinicius de Moraes, nasceu Mariana de Moraes, 56, cantora e atriz. Vera Barreto Leite Valdez Reprodução/Divulgação Vera Barreto Leite Valdez GettyImages Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!