À espera do FGC, investidores do Master viram alvo de golpistas que se passam pelo fundo que vai reembolsar aplicações. Entenda

Além de estarem há quase dois meses sem receber rendimentos e nem o reembolso dos recursos que aplicaram no Banco Master, investidores que aguardam a restituição após a liquidação da instituição viraram alvo de um novo golpe, voltado para beneficiários do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A fraude, identificada pela empresa de segurança digital Kaspersky, visa roubar dados financeiros das vítimas. Banco Master: PF faz buscas em endereços de Daniel Vorcaro e familiares em nova fase de operação sobre fraudes Na mira: Nelson Tanure também é alvo da nova fase da operação e tem celular apreendido O golpe é feito a partir de um aplicativo fraudulento, disponível para aparelhos Android, que promete ao usuário um acompanhamento simplificado do ressarcimento do FGC. Porém, ao fazer a instalação, a vítima acaba infectando seu aparelho com um programa capaz de permitir aos golpistas roubar dados bancários, controlar remotamente o dispositivo e realizar mineração de criptomoedas. Aplicativo falso oferece acompanhamento do ressarcimento do FGC, mas instala vírus para roubar dados do usuário Reprodução/Kaspersky Especialistas da Kaspersky explicam que a fraude utiliza o BeatBanker, um tipo de trojan bancário (vírus disfarçado que rouba dados bancários do usuário) desenvolvido por criminosos brasileiros, e que já apareceu em golpes anteriores, como os que distribuíam aplicativos falsos do INSS para acompanhamento do reembolso pelos valores desviados na aposentadoria dos beneficiários. O FGC alerta que "não autoriza ou credencia nenhum tipo de Instituição ou empresa, com intuito de intermediar/propor qualquer tipo de negociação para recebimento do valor garantido pelo FGC, muito menos solicitando o pagamento de qualquer taxa ou o depósito prévio de valores". Entenda: Pagamento do FGC a investidores do Master vai ser afetado pela operação da PF? Desconfie sempre Para não cair em golpes, a Kaspersky recomenda seguir medidas de proteção, como desconfiar de ofertas que prometem agilizar ou simplificar processos de forma incomum ou com passos extraordinariamente fáceis. Também é importante verificar os canais oficiais da empresa ou instituição antes de clicar em qualquer link, e baixar aplicativos apenas de lojas oficiais, como a Google Play Store ou a Apple App Store. Fabio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina e Europa, recomenda a instalação de anti-vírus nos celulares, já que esses softwares são mais capazes de identificar golpes e impedir que criminosos acessem o dispositivo. Uma vez que o vírus acessa o celular, muitas vezes é necessário até formatar, e o usuário acaba perdendo seus dados. Segundo o especialista, temas que estão sendo muito comentados na mídia e que envolvem uma grande quantidade de pessoas com valores a receber vêm sendo comumente alvos de golpes on-line. Initial plugin text É o caso dos ressarcimentos de descontos indevidos do INSS e da atual situação do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro e deixou para o FGC o ressarcimento de 1,6 milhão de clientes. Juntos, eles têm a receber R$ 41 bilhões. Assolini menciona que isso aconteceu também com os auxílios emergenciais durante a pandemia; com saques do FGTS ou mesmo quando o Banco Central liberou valores a receber em contas esquecidas de bancos. — É um modus operandi comum o cibercrime utilizar esses temas para tirar vantagem das pessoas que estão esperando receber esses valores. Sabemos que agora (no caso do Banco Master) é um número grande de pessoas, cerca de 1,6 milhões de brasileiros. Golpes utilizando o nome do BC e do FGC não são novidade. O primeiro com essa temática do Master é esse que apareceu há dois dias, mas a gente ainda espera que apareçam mais. Como funciona o golpe? O trojan utilizado no novo golpe, que tem clientes do Master como alvo, é capaz de roubar informações de login, senhas e dados financeiros de aplicativos bancários, além de realizar mineração clandestina da criptomoeda Monero sem consentimento, drenando a bateria e degradando o desempenho do dispositivo. Com controle remoto avançado, os cibercriminosos conseguem realizar diversas ações no aparelho da vítima, como fazer transações ou instalar outros códigos maliciosos. O vírus se disfarça de aplicativo comum e usa recursos avançados para não ser detectado, monitorando a bateria, a temperatura do aparelho e se o usuário está usando o celular, para agir sem levantar suspeitas. E-mails falsos Beneficiários do Fundo Garantidor de Créditos também estão recebendo mensagens falsas de e-mails e SMS, com golpistas se passando pelo próprio FGC, enviando um token de validação supostamente para acessar o aplicativo da instituição, e até dizendo que os valores a receber já estão disponíveis. E-mails falsos de golpistas se passando pelo FGC Reprodução E-mails falsos de golpistas se passando pelo FGC Reprodução Golpistas se passam pelo FGC, dizendo que os valores a receber após a liquidação do Banco Master já estão disponíveis Reprodução Criação de plataformas falsas Segundo Assolini, os cibercriminosos estão cada vez mais sofisticados em criar sites e aplicativos com interfaces muito semelhantes às oficiais. No caso do atual golpe do FGC, o aplicativo não está disponível na Play Store, mas a página para baixá-lo é muito parecida com a loja de apps oficial do Android. O especialista explica que a forma mais comum do link fraudulento chegar às vítimas é partir de e-mails, já que o custo para disparar milhões de mensagens de e-mails é muito baixo. No entanto, criminosos também podem usar o SMS, o Whatsapp, e até anúncios pagos em redes sociais, então é importante manter o cuidado redobrado. — Está cada vez mais difícil para o usuário identificar esses golpes porque os criminosos se esmeram muito na aparência, não é algo trivial. Initial plugin text