Wall Street adora poucas coisas mais do que um bom acrônimo para descrever uma tese de investimento. Agora, o estrategista-chefe para o país da Ned Davis Research, Ed Clissold, quer cunhar um novo termo. Ele está chamando o movimento de “Big MAC trade”, um trocadilho com “Big Midterms Are Coming” (grandes eleições de meio de mandato estão chegando). Master: Toffoli autoriza PGR a analisar material apreendido em investigação envolvendo o banco Em infográfico: Entenda a segunda fase da operação da PF contra o Master e veja os principais alvos É um clima parecido com o que já se delineia no Brasil, que terá eleições para Executivo e Legislativo em outubro. Ontem, uma pesquisa sobre a corrida presidencial com leve perda de competitividade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela reeleição ajudaram o Ibovespa, princípal índice da B3, a bater novo recorde com maior adesão à tese de uma possível alternância de poder. Nos EUA, Clissold pretende capturar o que ele acredita ser o principal tema de 2026: as implicações de políticas públicas no período que antecede a votação do Congresso americano neste outono (no hemisfério Norte) e seus desdobramentos. Malu Gaspar: Alvo da PF, fundos de Tanure injetaram R$ 2,5 bilhões no Master — O foco do presidente Trump na acessibilidade financeira às vésperas das eleições legislativas levou a uma série de ações direcionadas aos preços do petróleo, taxas de hipoteca, taxas de cartão de crédito e à taxa de fundos do Fed— disse Clissold. De fato, o Big MAC é mais um tema do que uma estratégia de negociação específica para investidores avessos ao risco: “ações de políticas específicas para cada setor são um risco às vésperas das eleições de meio de mandato”, escreveu Clissold. Não é óbvio como administrar esse risco. O “caos” nas políticas governamentais é um risco adicional para os mercados em 2026, disse Tom Essaye, fundador do Sevens Report. Ele teme que a reação moderada a muitas das tentativas recentes de Trump de reescrever as políticas econômicas e empresariais esteja enviando um sinal de que o mercado está neutro em relação aos detalhes técnicos. Tabela do Imposto de Renda 2026: confira as faixas, alíquotas e como calcular "Este é um risco que precisamos monitorar daqui para frente, porque a falta de reação do mercado a esta incerteza política parece estar encorajando o governo" escreveu Essaye na segunda-feira. “Em algum momento, a incerteza vai cobrar seu preço e, embora ainda não tenhamos chegado lá, estamos nos aproximando”, disse. Embora a política por tuítes de Trump tenha causado, em sua maioria, variações passageiras no mercado, ela alimentou o medo entre investidores e estrategistas. O grande volume de comentários do presidente, que têm implicações em toda Wall Street, torna difícil manter qualquer estratégia de negociação. Grok: xAI endurece regras e bloqueia chatbot na criação de imagens sexualizadas de pessoas reais “Você não quer chegar todos os dias e descobrir que uma ação ou um setor em que você está é o alvo do dia e que suas ações abrem em queda de 5% ou 10%”, disse Michael O’Rourke, estrategista-chefe de mercado da Jonestrading Institutional Services. O’Rourke observou que ainda faltam 42 semanas para as eleições legislativas dos EUA, o que significa que há bastante tempo para a Casa Branca introduzir outros riscos específicos por setor que poderiam desestabilizar o mercado. E isso acarreta o risco de uma venda em um mercado precificado para a perfeição. Para Clissold, a nova sigla é necessária após o sucesso do termo “TACO” trade — cunhado por um jornalista do Financial Times para descrever a tendência de Trump de ameaçar com tarifas punitivas apenas para “amarelar” antes de implementá-las. Mesmo sem a abordagem pouco ortodoxa à condução econômica da Casa Branca de Trump, os anos de eleições legislativas tendem a trazer retornos de ações abaixo da média, em grande parte devido à incerteza em torno das posições de políticas públicas. No período pós-guerra, o partido que controla o poder executivo costuma se sair mal nas eleições para o Congresso.