Senadores pedem impeachment de Toffoli por condução do caso Master

Um grupo de senadores protocolou nesta quarta-feira, 14, no Senado Federal, um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. A iniciativa é assinada por Magno Malta (PL-ES), Damares Alves (Republicanos-DF) e Eduardo Girão (Novo-CE) e foi encaminhada ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). O documento sustenta a existência de indícios de crime de responsabilidade relacionados à atuação do ministro no caso Banco Master. Na denúncia, os parlamentares alegam violação aos deveres de imparcialidade e decoro funcional por parte do ministro, que atua como relator de procedimentos ligados às investigações que envolvem o banco. O texto afirma que a representação não trata de discordância sobre decisões judiciais, mas de condutas funcionais que, em tese, configurariam crimes de responsabilidade. + Leia mais notícias de Política em Oeste O caso envolve apurações sobre fraudes de grande valor que resultaram na liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central (BC). O processo tramita sob relatoria do próprio Toffoli, o que, segundo os signatários, exige observância rigorosa do dever de imparcialidade. A peça destaca que, em dezembro de 2025, Toffoli viajou ao Peru, em aeronave particular, acompanhado do advogado Augusto de Arruda Botelho, que integra a defesa de Luiz Antonio Bull, ex-diretor do Master. Para os senadores, esse contato extraprocessual “já seria suficiente para gerar fundada dúvida sobre a necessária imparcialidade do magistrado”. Fachada do Banco Master, em São Paulo | Foto: Divulgação Na sequência, a denúncia descreve decisões adotadas pelo ministro depois da viagem. Entre elas, a concessão de sigilo máximo aos autos e a determinação de que novas diligências dependessem de autorização prévia do STF. O documento afirma que tais medidas restringiram o acesso público às investigações e centralizaram na Corte o controle de atos investigatórios. O ponto central da narrativa apresentada pelos senadores é a determinação, durante o recesso forense, de uma acareação marcada para dezembro de 2025. O ato previa o confronto de versões entre o controlador do Master, o ex-presidente do Banco de Brasília ( BRB ) e o diretor de Fiscalização do BC. Segundo a denúncia, a medida foi considerada atípica e gerou reação imediata de órgãos e entidades. O BC, em ofício formal, questionou a urgência da acareação e alertou para possíveis “armadilhas processuais”, além de pedir seu cancelamento. A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, classificou o ato como “prematuro” e solicitou sua suspensão. Posteriormente, Toffoli revogou a determinação da acareação e a substituiu por oitivas individuais conduzidas pela Polícia Federal. No entanto, condicionou esses depoimentos à presença de um juiz auxiliar vinculado ao seu gabinete. Para os senadores, essa atuação não eliminaria eventuais irregularidades, pois “o dano é institucional e se consuma com a prática do ato”. Familiares de Toffoli teriam relações com o Master Outro ponto destacado na representação diz respeito a vínculos econômico-financeiros entre familiares do ministro. O documento recorda que um fundo de investimentos ligado à teia de empresas investigadas no caso Master realizou aportes milionários em empresas controladas por irmãos e um primo de Toffoli. A denúncia destaca que o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia teria investido R$ 4 milhões em um empreendimento turístico cujos sócios seriam irmãos do ministro . O mesmo fundo também teria participado de empresa ligada a um primo do magistrado. Para os senadores, esses fatos configurariam “hipótese de impedimento absoluto por conflito de interesses de natureza econômica”. Os parlamentares afirmam que a manutenção do ministro na relatoria, diante dessas circunstâncias, agravaria a situação e caracterizaria violação ao decoro do cargo. A representação sustenta que, mesmo sem prova de benefício direto, a simples existência de vínculos financeiros entre investigados e familiares do relator comprometeria a aparência de imparcialidade exigida de um ministro do STF. Leia também: “Togas fora da lei” , artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste O post Senadores pedem impeachment de Toffoli por condução do caso Master apareceu primeiro em Revista Oeste .