Lucinha Lins tomou um susto quando recebeu o convite do diretor Jô Santana para participar de “Fafá de Belém, o musical”, que estreia hoje no Teatro Riachuelo, mas aceitou na hora o papel, que considera “um luxo”. A atriz interpreta a cantora nos dias de hoje — as versões jovem e menina de Fafá são vividas por Helga Nemetik e Laura Saab, neta da homenageada. Na trama, a artista relembra sua trajetória durante as gravações de um documentário por seus 50 anos de carreira. Estreia no teatro: 'A graça é que ninguém consiga saber o que é mentira e o que é verdade', diz Chay Suede sobre solo com histórias de sua vida Eterno Didi: 'Adorável Trapalhão – O musical', que celebra a trajetória de Renato Aragão, chega ao Rio em fevereiro — Eu acompanho Fafá desde sempre. Já fiz coro em álbuns dela, cantei suas músicas num disco comemorativo, nos vimos grávidas. Sempre que a gente se encontra, é como se fôssemos vizinhas de porta — conta Lucinha, cujos filhos chamam Fafá de tia. — Somos contemporâneas e temos sentimentos parecidos acerca do que vivemos. Isso me emociona e ativa a minha memória. Para o diretor, o encontro de estrelas potencializa a narrativa do espetáculo: — São mulheres moldadas por um Brasil intenso, em transformação, que aprenderam a resistir e a se reinventar pela arte. No palco, emerge também a memória de um tempo, de uma geração inteira e de um país que se construiu entre canções, lutas, sonhos e contradições. Escrito por Eduardo Rieche e Gustavo Gasparani (também diretor artístico), o texto entrelaça a trajetória de Fafá à natureza. Entre biografia e ficção, são apresentadas lendas e mitos paraenses, tudo embalado por faixas como “Coração do agreste” e “Este rio é minha rua”. — A Amazônia, no espetáculo, não é cenário: é origem que ecoa na voz de Fafá. Biografia e mito, memória e imaginação se misturam — explica Jô. Lucinha Lins e Helga Nemetik como Fafá de Belém Leo Aversa/Divulgação Helga destaca a relação de Fafá com o Norte como um dos aspectos que mais a comovem na carreira da cantora. — Ela escolheu cantar o que quis, sua vida, seu povo, bateu de frente com muita gente e não se dobrou. Serviço Onde: Teatro Riachuelo, Centro. Quando: Qui e sex, às 20h. Sáb e dom, às 17h. Até 8 de março. Estreia hoje. Quanto: de R$ 40 a R$ 200. Assinante O GLOBO tem desconto. Classificação: 12 anos.