"É injusto", diz uma turista uruguaia sobre o aumento de 45% nas tarifas para visitantes de fora da Europa, em vigor desde esta quarta-feira (14), para entrar no Louvre, em Paris, o museu mais visitado do mundo. Quais são os cinco melhores lugares para viajar em 2026? Veja ranking de turismo sustentável Peças da coroa: Louvre instala grade na janela por onde os ladrões entraram para roubar joias históricas Com a medida, turistas de fora do Espaço Econômico Europeu (União Europeia mais Islândia, Liechtenstein e Noruega) passaram a pagar 32 euros (cerca de R$200) para visitar os 73 mil m² do museu parisiense, 10 euros a mais (cerca de R$63) do que os visitantes europeus. A política tem poucos equivalentes no continente. Outros monumentos da capital francesa, como a Sainte-Chapelle e a Conciergerie, também adotaram nesta semana tarifas diferenciadas conforme a origem do visitante. — É injusto para quem vem de mais longe, porque você favorece quem já está aqui (...) e fica muito mais barato do que para nós, que viajamos mais de 10 mil quilômetros — reclama Pamela González, do Uruguai, prestes a entrar no Louvre com o filho adolescente. — Para nós, a passagem é muito cara, a estadia também, por causa da moeda, e ainda colocam um custo 50% maior. Em outros países isso não acontece — acrescenta. Outros turistas criticam a diferença de preços para visitantes de países com menos recursos. — Se eu viajo para a Índia, os indianos pagam menos, e isso é justo, porque têm menos dinheiro — diz a brasileira Marcia Branco. — Mas estou em um país rico. Venho de um país menos rico, então acho injusto pagar muito mais — conclui. Para alguns visitantes, porém, as novas tarifas são aceitáveis. — É o mesmo preço de muitas coisas na Itália, em Malta — afirma o australiano Kevin Flynn, que viaja pela França com a esposa, Sonia. O governo francês justificou o aumento por razões financeiras. Segundo o Ministério da Cultura, as novas tarifas devem gerar entre 20 e 30 milhões de euros por ano (entre cerca de R$ 125 milhões e R$ 188 milhões), destinados ao projeto de renovação do Louvre, que recebeu nove milhões de visitantes no ano passado e cujas instalações precisam ser "modernizadas". Embora o valor do ingresso seja semelhante ao de outros museus, a diferenciação por país de origem é rara na Europa e nos Estados Unidos. Para os sindicatos do Louvre, a medida é "ofensiva do ponto de vista filosófico, social e humano" e integra as críticas que alimentam a mobilização dos funcionários, que desde dezembro realizam protestos e greves por melhores condições de trabalho.