Chinesa Jovi aposta em smartphones 'tropicalizados' para crescer no Brasil e planeja expansão em 2026

Desde que iniciou a fabricação local de seus smartphones há um ano, a chinesa Jovi, da vivo Mobile Communication, empresa que está presente em mais de 60 países, já lançou cinco aparelhos no Brasil com a estratégia de “tropicalizar” seus produtos. A iniciativa é uma das apostas para ganhar espaço em um mercado hoje dominado por marcas como Samsung, Apple e Motorola. Para 2026, a companhia já estuda novos smartphones e a ampliação do portfólio, com expansão em redes de varejo, marketplaces e operadoras de telecomunicações. Saiba como preservar a bateria do iPhone nesse calorão? Veja dicas para evitar desgaste do aparelho no verão Mudança de operadora de celular atinge maior patamar desde 2022: veja como fazer a troca Em entrevista ao GLOBO, André Varga, responsável pelo portfólio da empresa e um dos principais executivos da empresa, destaca a adaptação de aparelhos específicos para o mercado brasileiro, que atualmente é o quarto maior mercado de smartphones do mundo e o maior da América Latina. — Não queríamos apenas uma produção nacional em Manaus, mas desenvolver produtos exclusivos para o Brasil. O Brasil é uma prioridade estratégica para a Jovi, e as perspectivas para 2026 são positivas. Temos hoje as linhas V, de intermediários premium, e Y, de entrada. Alguns modelos da linha Y chegaram ao país com especificações que não existem em nenhum outro mercado. Um exemplo claro é o Y29s. Ao entender que muitos brasileiros passam longos períodos longe de pontos de energia, trouxemos uma versão com 6.500 mAh de capacidade de bateria e carregamento rápido de 44W. Essa adaptação melhora a autonomia e oferece mais conveniência para quem depende do smartphone o dia todo — cita o executivo. André Varga é o responsável por produtos da Jovi Divulgação Ele menciona uma pesquisa feita pela empresa em parceria com a Ipsos, que aponta que 71% dos brasileiros já ficaram sem bateria em momentos importantes. Segundo Varga, esse processo de “tropicalização” também orienta as decisões futuras. O objetivo é entregar mais valor e mais tecnologia dentro da faixa de modelos intermediários, o mais buscado pelo brasileiro por levar em conta a relação custo-benefício. O movimento ocorre em um momento em que o setor, em todo o mundo, enfrenta aumento de custos, o que tende a tornar os aparelhos mais caros. — À medida que avançamos no país, nossa prioridade é ampliar o portfólio com produtos e recursos desenhados especificamente para o comportamento do consumidor brasileiro, mantendo a combinação de resistência, bateria de longa duração, qualidade de câmera e inovações para fazer diferença no uso cotidiano. CES 2026: 'Inteligência artificial é uma grande aliada no consumo de conteúdo na TV', diz executivo da Samsung A estratégia é acompanhada de investimento fabril. Segundo ele, a unidade de Manaus iniciou com uma capacidade de produção de 100 mil unidades em 2025, mas o volume aumentará ao longo deste ano. — A fábrica já opera em capacidade de produção em massa, e atualmente produzimos quatro modelos (V50 Lite 5G, Y19, Y29 e Y29s 5G), de um total de cinco modelos vendidos aqui. Aproveitamos nossa experiência global de produção, com fábricas na China, Índia, Indonésia, Paquistão, Egito e Turquia, e replicamos linhas de manufatura que já se mostraram bem-sucedidas em outros mercados. A operação está totalmente dedicada ao atendimento do mercado brasileiro e preparada para escalar conforme a demanda cresce — adianta Varga. Initial plugin text Com foco em design, um dos principais lançamentos da empresa foi o V50 5G, um intermediário premium que conta com câmera cocriada com a marca alemã Zeiss e ring light embutido. Há ainda a versão Lite 5G, com espessura ultrafina de 7,79 milímetros (mm), menor que a do iPhone 17 (7,95 mm) e maior que a do iPhone Air (5,64 mm). Ambos os modelos contam com inteligência artificial embarcada via Google Gemini. Já na linha Y, mais básica, a companhia vem dando atenção a bateria, que assim como a linha V também possui a tecnologia proprietária chamada BlueVolt, que oferece baterias maiores, mais finas, com carregamento mais rápido e que duram mais. Segundo o executivo, o investimento em recursos premium nos aparelhos tem como objetivo aumentar a percepção de qualidade dos produtos chineses. Para ele, essa visão já vem mudando. Ele cita a pesquisa feita em parceria com a Ipsos que mostra que 74% dos brasileiros acreditam que os produtos chineses melhoraram nos últimos cinco anos. — Trata-se de um mercado de alto potencial, ainda concentrado em poucos players, o que abre espaço para diferenciação e agregação de valor. Nossa operação, com linhas de manufatura transferidas da China, representa um intercâmbio tecnológico que fortalece a indústria e a economia brasileiras — afirma o executivo, lembrando que a companhia conta com mais de mil funcionários e nove escritórios regionais no Brasil. Initial plugin text