Copa Africana de Nações: Hakimi vive auge esportivo sob sombra de investigação de estupro na França

Basta caminhar pelas medinas de Rabat ou Marrakech para perceber a dimensão do fenômeno. Entre barracas estreitas, motos costurando a multidão e vendedores ambulantes, camisas de clubes europeus disputam espaço — mas um nome se repete com insistência. No Paris Saint-Germain, no Real Madrid ou em versões alternativas, a estampa mais comum é a de Achraf Hakimi. Hakimi pode pegar até 15 anos de prisão por estupro; Justiça francesa pede julgamento Capitão e principal referência da seleção marroquina, o lateral-direito vive o auge de sua popularidade no país justamente no momento em que uma investigação judicial na França lança uma sombra persistente sobre sua imagem. De acordo com o jornal americano Tha Athletic, em fevereiro de 2023, promotores franceses abriram apuração preliminar após uma denúncia de estupro. Um mês depois, Hakimi foi formalmente indiciado e colocado sob supervisão judicial. Desde então, o jogador nega as acusações e afirma ser vítima de chantagem. O caso avançou em agosto do ano passado, quando a promotoria de Nanterre encaminhou o processo ao tribunal criminal. Cabe agora ao juiz de instrução decidir se Hakimi será ou não levado a julgamento — uma definição que pode ocorrer ainda em 2026. Dentro de campo, porém, nada parece abalar seu status. Em novembro, o jogador de 27 anos foi eleito Melhor Jogador Africano do Ano pela Confederação Africana de Futebol, superando nomes como Mohamed Salah. Também figurou na seleção do ano do prêmio FIFA The Best e terminou em sexto lugar na última edição da Bola de Ouro. Rosto oficial da atual Copa Africana de Nações, sediada pelo Marrocos, Hakimi voltou a campo após se recuperar de uma lesão no tornozelo e foi recebido com euforia no Estádio Príncipe Moulay Abdellah. A expectativa é que ele lidere a equipe na semifinal contra a Nigéria, em busca de um título que o país não conquista desde 1976. Revelado nas categorias de base do Real Madrid, Hakimi construiu carreira sólida no futebol europeu, com passagens por Borussia Dortmund e Inter de Milão, antes de se transferir para o Paris Saint-Germain em 2021, por cerca de € 60 milhões. Pelo clube francês, conquistou quatro títulos consecutivos do Campeonato Francês e integrou o elenco campeão da Liga dos Campeões na temporada passada. O episódio que deu origem à investigação ocorreu em fevereiro de 2023, quando uma mulher de 24 anos afirmou ter sido vítima de violência sexual na residência do jogador, em Boulogne-Billancourt. A denunciante procurou a polícia no dia seguinte, mas optou por não registrar queixa formal. Mesmo assim, o Ministério Público deu seguimento ao caso. À época, o PSG declarou apoio ao atleta, ressaltando confiança no sistema judiciário. A então esposa de Hakimi, a atriz Hiba Abouk, anunciou semanas depois o fim do relacionamento, afirmando que a separação havia sido decidida antes dos fatos investigados e pedindo cautela até a conclusão do processo. Desde então, Hakimi seguiu atuando normalmente por clube e seleção. Foi titular na última edição da CAN, disputou os Jogos Olímpicos de Paris — onde conquistou o bronze — e esteve presente no Mundial de Clubes da Fifa. Em entrevistas recentes, voltou a negar as acusações e afirmou que o episódio causou profundo sofrimento à sua família. — Sei quem sou e sei que não fiz nada. Sempre estive à disposição da Justiça — declarou.