A Polícia Civil ouvirá, nesta quinta-feira, os três brigadistas que atuaram durante o incêndio que atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, no último dia 2. Os profissionais trabalharam com o supervisor Anderson Aguiar do Prado e a brigadista Emellyn Silva Aguiar, que morreram enquanto atuavam no combate inicial ao incêndio no subsolo. Os investigadores querem saber qual protocolo foi seguido, se houve dificuldades durante a atuação e se faltou algum tipo de equipamento no momento do combate às chamas. Os depoimentos são considerados fundamentais para que a polícia consiga reconstruir passo a passo como ocorreu a resposta ao incêndio naquele dia. Shopping Tijuca: Bombeiros relatam uma série de erros no combate ao incêndio no subsolo do Shopping Tijuca Denúncia: exaustores do subsolo, onde incêndio aconteceu, foram alvos de denúncia em 2023 Até o momento, a perícia ainda não foi realizada no subsolo, pois o local precisa passar por um processo de estabilização para garantir segurança às equipes técnicas. O shopping vai reabrir nesta sexta-feira, com o subsolo e o térreo ainda interditados. Em nota, o shopping informou que o retorno será gradual e facultativo porque lojistas ainda estão reorganizando seus estoques e equipes. "A retomada das operações não diminui a profunda consternação pela perda de nossos queridos colaboradores Emellyn e Anderson; eles jamais serão esquecidos. Seguimos colaborando com as autoridades e agradecemos, de forma especial, ao Corpo de Bombeiros pela extraordinária e incansável dedicação, assim como aos demais órgãos envolvidos", diz a nota. Na última segunda-feira, o diretor de operações da CM Couto, empresa que oferece serviços de brigada e equipamentos contra incêndio e atuava no shopping, prestou depoimento na 19ª DP (Tijuca). A policiais, ele contou que, provavelmente, a brigadista Emellyn se asfixiou ao retirar a máscara de oxigênio. "Que acredita que o oxigênio de Emellyn acabou, razão pela qual a mesma retirou a máscara e acabou sendo asfixiada", disse. Além disso, contou que o sistema de alarme e detecção de incêndio da loja de decoração não funcionaram. Perícia é essencial para investigação Para a Polícia Civil, é essencial que o subsolo seja liberado para a realização da perícia, pois será esse procedimento que irá esclarecer a origem do incêndio. Enquanto essa etapa não é concluída, os investigadores seguem realizando diligências e ouvindo testemunhas para verificar se os procedimentos e protocolos adotados foram adequados. Os investigadores apuram se houve demora para acionar o Corpo de Bombeiros, se o protocolo de evacuação foi seguido corretamente e se existiam registros de outras vistorias na loja Bell’Art, onde o incêndio começou, apontando irregularidades. A polícia também investiga se o shopping, como administrador do espaço, poderia ter adotado outras medidas diante dos riscos de incêndio identificados em uma vistoria de rotina realizada dias antes do incidente. Com fotos e descrições detalhadas, o relatório dessa vistoria alertava para a presença de materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores de incêndio inoperantes e produtos armazenados acima da altura permitida dos bicos do sistema de sprinklers, utilizado no primeiro combate às chamas. O documento foi elaborado no dia 27 de dezembro pelo supervisor Anderson Aguiar do Prado e pela brigadista Emellyn Silva Aguiar, que morreram no incêndio. A Bell’Art ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Nesta quarta-feira, um representante da loja esteve na delegacia para prestar depoimento. O incêndio O incêndio atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte, no início da noite do dia 2. Segundo o Corpo de Bombeiros, os quartéis da Tijuca e de Vila Isabel foram acionados às 18h28 para o combate às chamas, que teriam começado em uma loja de decoração. No início da madrugada foi confirmada a informação de que duas pessoas morreram. Entre as vítimas fatais, estavam o supervisor de brigadistas Anderson Aguiar do Prado, que chegou sem vida ao Hospital Municipal Souza Aguiar, e a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes, retirada do estabelecimento no início da madrugada deste sábado. Ela não apresentava sinais de queimaduras e a primeira hipótese é de que a morte tenha acontecido por inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas.