Hidrante de loja que causou incêndio no Shopping Tijuca estava sem água, afirmou funcionário à polícia

Em depoimento à polícia, um funcionário da loja Bell'Art, foco do incêndio no Shopping Tijuca, afirmou que o hidrante do estabelecimento estava sem água e que, para combater às chamas, foi necessário emendar a mangueira e pegar água de um quiosque. Toda essa ação, como revelou, foi realizada pelo supervisor Anderson Aguiar do Prado, um dos mortos, e o brigadista Michael Oberdan Ramos Ribeiro, que se encontra em recuperação. Shopping Tijuca: Bombeiros relatam uma série de erros no combate ao incêndio no subsolo do Shopping Tijuca Denúncia: exaustores do subsolo, onde incêndio aconteceu, foram alvos de denúncia em 2023 Na oitiva, o funcionário também contou que Anderson e Michael estavam "sem qualquer roupa de proteção e de combate" e que os demais brigadistas, ao chegarem na loja, pediram para que eles se retirassem. No entanto, o rapaz conta que, até a saída dele do local, os dois permaneceram por lá. O GLOBO entrou em contato com o Shopping Tijuca a respeito dessas informações e aguarda retorno. Nesta quinta-feira, os três brigadistas que formavam a equipe vão ser ouvidos na 19ª DP (Tijuca), que investiga o caso. Os investigadores querem saber qual protocolo foi seguido, se houve dificuldades durante a atuação e se faltou algum tipo de equipamento no momento do combate às chamas. Perícia é essencial para investigação Para a Polícia Civil, é essencial que o subsolo seja liberado para a realização da perícia, pois será esse procedimento que irá esclarecer a origem do incêndio. Enquanto essa etapa não é concluída, os investigadores seguem realizando diligências e ouvindo testemunhas para verificar se os procedimentos e protocolos adotados foram adequados. Os investigadores apuram se houve demora para acionar o Corpo de Bombeiros, se o protocolo de evacuação foi seguido corretamente e se existiam registros de outras vistorias na loja Bell’Art, onde o incêndio começou, apontando irregularidades. A polícia também investiga se o shopping, como administrador do espaço, poderia ter adotado outras medidas diante dos riscos de incêndio identificados em uma vistoria de rotina realizada dias antes do incidente. Com fotos e descrições detalhadas, o relatório dessa vistoria alertava para a presença de materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores de incêndio inoperantes e produtos armazenados acima da altura permitida dos bicos do sistema de sprinklers, utilizado no primeiro combate às chamas. O documento foi elaborado no dia 27 de dezembro pelo supervisor Anderson Aguiar do Prado e pela brigadista Emellyn Silva Aguiar, que morreram no incêndio. A Bell’Art ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Nesta quarta-feira, um representante da loja esteve na delegacia para prestar depoimento. O incêndio O incêndio atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte, no início da noite do dia 2. Segundo o Corpo de Bombeiros, os quartéis da Tijuca e de Vila Isabel foram acionados às 18h28 para o combate às chamas, que teriam começado em uma loja de decoração. No início da madrugada foi confirmada a informação de que duas pessoas morreram. Entre as vítimas fatais, estavam o supervisor de brigadistas Anderson Aguiar do Prado, que chegou sem vida ao Hospital Municipal Souza Aguiar, e a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes, retirada do estabelecimento no início da madrugada deste sábado. Ela não apresentava sinais de queimaduras e a primeira hipótese é de que a morte tenha acontecido por inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas.