Médico acusado de matar duas pessoas a tiros em clínica no interior de SP é transferido de presídio pela segunda vez

Médico suspeito de assassinar duas pessoas a tiros é preso em Itapetininga O médico oftalmologista acusado de matar duas pessoas a tiros em uma clínica e ferir uma terceira em Itapetininga (SP), em outubro de 2025, foi transferido de presídio pela segunda vez em dois meses. A informação foi confirmada ao g1 pela Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo (SAP). José Gabriel Bloise de Meira, que estava no presídio de segurança máxima de Tremembé (SP), foi levado à penitenciária de Potim (SP), no Vale do Paraíba. A transferência foi feita em dezembro de 2025. Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp José Gabriel Bloise de Meira passou à condição de réu após a Justiça aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público. Em decisão publicada em novembro de 2025, o juiz entendeu que há indícios de autoria e materialidade do crime. Em nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo informou que o processo está em andamento, em fase de diligências e apresentação de documentos pelas partes, e que ainda não há data definida para a audiência de instrução. O réu estava em Tremembé desde novembro, quando foi transferido da penitenciária de Itapetininga após ter a prisão em flagrante convertida para preventiva. O g1 questionou à SAP o motivo da transferência do médico e a pasta informou que as movimentações de custodiados são realizadas conforme o planejamento e os protocolos internos, que, por razões de segurança, não são detalhados. Mas, em agosto de 2025, o governo estadual decidiu que a prisão de segurança máxima de Tremembé "mudaria o perfil" dos presos e receberia apenas detentos em regime semiaberto. Por isso, a unidade estaria transferindo detentos. O g1 não conseguiu contato com a defesa do médico. Médico é preso suspeito de matar duas pessoas a tiros em Itapetininga (SP) Reprodução/Redes sociais Médico premeditou o crime O ataque à clínica ocorreu em 20 de outubro. O optometrista Marcelo de Souza Nogueira e o paciente Paulo Correia Leite Júnior morreram no local. Em novembro, a esposa de Aguinaldo Antônio de Queiroz, Taina Bueno, contou ao g1 que o marido, terceiro baleado pelo médico no dia do crime, estava se recuperando em casa e aguardando a próxima etapa do tratamento, que seria a correção das fraturas no rosto. De acordo com a Polícia Civil, José Gabriel planejou o crime com antecedência e tentou simular um assalto para render as vítimas. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) afirmou à época que o médico alugou um carro quatro dias antes do crime e o estacionou, um dia antes do ataque, na região central da cidade. O local é conhecido pela dificuldade de estacionamento em dias úteis, o que, segundo os investigadores, reforça a hipótese de crime premeditado. Câmeras de segurança registraram o homem saindo da clínica a pé após o ataque e caminhando até o carro, usado na fuga. O veículo foi identificado pela placa e rastreado até uma locadora. O carro foi devolvido na manhã em que o médico foi detido. José Gabriel foi preso em flagrante no prédio do INSS, onde atuava como perito médico. Na casa dele, a polícia apreendeu uma arma calibre .38, colete e roupas que teriam sido usados no crime. A DIG informou que a arma foi comprada legalmente e possui registro, mas a polícia agora verifica se José Gabriel tinha autorização para porte ou posse. As vítimas foram atingidas por tiros na cabeça, de trás para a frente, segundo a perícia. Após os disparos, o suspeito ateou fogo nos corpos, possivelmente com álcool em gel, o que provocou queimaduras severas. Um dos mortos, Paulo Correia Leite Júnior, também sofreu um corte profundo no pescoço, causado por um instrumento pontiagudo. Segundo a polícia, o golpe teria sido dado para "finalizar" a vítima, já que o tiro inicial não foi fatal. A outra vítima, Marcelo de Souza Nogueira, era dona da clínica e seria o alvo principal do ataque, conforme a investigação. A Polícia Civil informou ainda que José Gabriel já havia feito denúncias antigas contra profissionais de optometria, área com a qual tinha divergências profissionais. As queixas vinham sendo feitas há anos, segundo a corporação. Marcelo foi enterrado em Itapetininga, enquanto Paulo foi sepultado em São Miguel Arcanjo (SP), cidade onde morava. O Ministério da Previdência Social, em nota, lamentou o ocorrido e informou que a Corregedoria será acionada para apurar os fatos. O profissional era concursado do MPS. Marcelo de Souza Nogueira e Paulo Correia Leite Junior foram mortos a tiros Itapetininga (SP) Reprodução/Redes sociais Duas pessoas são mortas a tiros em clínica de Itapetininga Juliana Cirila/Arquivo pessoal Com ele, os policiais apreenderam diversos itens, incluindo a arma usada no crime Leonardo Vieira/TV TEM Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região