Trump diz que não tem planos de demitir presidente do Fed

O presidente Donald Trump voltou a afirmar que não planeja demitir o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, apesar de uma investigação do Departamento de Justiça sobre a reforma da sede do banco central dos Estados Unidos. — Não tenho nenhum plano de fazer isso — disse Trump em entrevista à Reuters na quarta-feira, ao ser questionado se tentaria afastar Powell do cargo. Entenda: Como a crise com Powell pode dificultar aprovação de sucessor ao Fed indicado por Trump? Fed x Casa Branca: Por que o líder do banco central dos EUA trocou o silêncio protocolar pelo confronto direto com Trump? Ainda assim, o presidente americano afirmou que ainda não chegou a uma conclusão sobre se a investigação lhe daria fundamentos para afastar o chefe do Fed, dizendo que é “cedo demais” para afirmar o que fará em última instância. — No momento, estamos em uma espécie de compasso de espera com ele, e vamos decidir o que fazer. Mas não posso entrar em detalhes —afirmou. A lei federal determina que governadores do Federal Reserve só podem ser demitidos por justa causa, e não por divergências de política. O mandato de Powell como presidente do BC dos EUA termina em maio, mas ele não é obrigado a deixar o Conselho de Governadores, sediado em Washington, até 2028. Initial plugin text Trump também disse à Reuters não estar preocupado com parlamentares republicanos que criticaram a investigação por temerem que ela seja uma tentativa de influenciar decisões sobre juros. — Não me importo. Não há nada a dizer. Eles deveriam ser leais. É isso que eu digo — disse Trump. Retrospectiva: Entenda justificativa utilizada pelo Departamento de Justiça para investigar Powell Na terça-feira, o presidente afirmou que pretende seguir adiante com os planos de indicar o substituto de Powell “nas próximas semanas”, apesar da ameaça do senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte que está se aposentando e integra o Comitê Bancário do Senado, de bloquear indicações para o Fed até que a investigação seja concluída. Na entrevista à Reuters, Trump elogiou dois candidatos já mencionados anteriormente: o principal assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, e o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh. — Os dois Kevins são muito bons — disse Trump, acrescentando: — Há também outras pessoas boas, mas vou anunciar algo nas próximas semanas. Kevin Hassett: Banco central americano tem de ser totalmente independente, inclusive de Trump, diz assessor da Casa Branca Powell afirmou no domingo que o Departamento de Justiça havia enviado intimações ao Fed, decorrentes de uma investigação sobre o projeto de reforma de US$ 2,5 bilhões de dois prédios históricos no complexo da sede do Federal Reserve e o testemunho de Powell ao Congresso a respeito do assunto. A investigação marca uma escalada dramática dos ataques do governo Trump ao Fed e levanta novas questões sobre a independência da instituição. Trump já cogitou repetidamente tentar demitir Powell antes do fim de seu mandato como presidente, em maio, e atualmente avalia quem indicar como seu sucessor. Em um comunicado no domingo, Powell classificou a investigação sobre a reforma como um pretexto para uma campanha mais ampla de pressão relacionada às taxas de juros. Independência ameaçada: Galípolo, Lagarde e outros presidentes de bancos centrais saem em defesa de Powell após ataque de Trump “Trata-se de saber se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas — ou se, em vez disso, a política monetária será orientada por pressão ou intimidação política”, disse. Trump vem exercendo forte pressão pública sobre Powell, a quem nomeou para a presidência do Fed durante seu primeiro mandato, por não reduzir a taxa básica de juros nem com a rapidez nem na magnitude que o presidente republicano deseja. Initial plugin text