Irã nega que tenha condenado Erfan Soltani à morte Um cidadão canadense morreu no Irã pelas mãos das autoridades iranianas, afirmou a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, nesta quinta-feira (15). O anúncio, que não dá detalhes de como ou quando a morte ocorreu, foi feito em uma publicação nas redes sociais, onde ela também ofereceu condolências aos familiares do compatriota. "Os protestos pacíficos do povo iraniano - que exigem que suas vozes sejam ouvidas diante da repressão do regime iraniano e das contínuas violações dos direitos humanos - levaram o regime a desrespeitar flagrantemente a vida humana. Essa violência precisa parar. O Canadá condena veementemente essa violência e exige seu fim imediato.", disse ela. Initial plugin text Irã nega execução de manifestantes A Justiça do Irã afirmou, nesta quinta-feira (15), que o manifestante iraniano Erfan Soltani, de 26 anos, não foi condenado à pena de morte, contrariando o que havia sido dito pela família, segundo a ONG Hengaw. De acordo com o Judiciário, Soltani, que está detido atualmente no presídio central de Karaj, responde às acusações de “conluio contra a segurança interna do país e atividades de propaganda contra o regime”, que não são punidas com pena de morte. A informação da declaração do judiciário foi divulgada pela agência de notícias Reuters, que seguiu a mídia estatal iraniana. Segundo a ONG, a execução por enforcamento que estava marcada para esta quarta-feira (14) foi adiada. A instituição diz ter recebido a informação de parentes de Soltani. "Em conversas com familiares de Erfan Soltani, a Hengaw apurou que a sentença de morte de Erfan Soltani, que havia sido anunciada anteriormente à sua família e seria executada na quarta-feira, não foi cumprida e foi adiada", diz a organização. Até então, a informação era de que a sentença de Soltani seria Moharebeh — que pode ser lida como "ódio contra Deus". O Irã é conhecido por executar centenas de pessoas por esse crime. Segundo a organização humanitária curdo-iraniana Hengaw, as autoridades locais informaram à família que a sentença era definitiva. Uma fonte próxima à família, falando sob condição de anonimato, disse ao portal IranWire: “A família está sob extrema pressão. Até mesmo um parente próximo, que é advogado, tentou assumir o caso, mas foi impedido e ameaçado por agentes de segurança. Disseram a ele: 'Não há processo para analisar. Anunciamos que qualquer pessoa presa nos protestos será executada." Pressão de Trump O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado que o país americano adotaria “medidas muito duras” caso o Irã começasse a enforcar manifestantes. Na entrevista, Trump disse não ter conhecimento da decisão de executar manifestantes, mas fez um alerta ao ser informado sobre os relatos. “Vamos tomar medidas muito duras, se fizerem esse tipo de coisa”, afirmou. Erfan Soltani, manifestante preso no Irã Reprodução/Instagram Nesta quarta (14), o presidente afirmou ter sido informado de que a “matança” no Irã foi interrompida e que não há planos para novas execuções. Trump disse durante um evento na Casa Branca ter recebido a informação de uma “fonte segura”. “O massacre no Irã está parando. Parou. E não há plano para execuções”, afirmou, sem dar detalhes. Pessoas próximas a Soltani afirmaram ao portal NDTV que o manifestante não teve o direito de se defender antes de ser condenado. Seus familiares puderam apenas o visitar por 10 minutos. A repressão aos protestos que ocorrem no Irã já deixaram mais de 3.400 pessoas mortas, segundo atualizaram na quarta-feira (14) ONGs de direitos humanos que acompanham a crise no país. Onda de protestos no Irã Bruna Azevedo/Editoria de Arte g1 Protesto no Irã UGC via AP