Área de energia do governo defende manter vazão de Belo Monte para suprir oferta de energia com chuvas abaixo da média

Com uma previsão de chuvas abaixo da média nos primeiros meses do ano, o Ministério de Minas e Energia (MME) defendeu manter a atual vazão da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, e evitar uma redução na geração de energia pela hidrelétrica. A decisão foi deliberada em reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) nesta semana, após o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apresentar uma previsão de chuvas abaixo do esperado em janeiro. A decisão final será tomada pelo Ibama. Em outra medida, com os níveis de reservatórios do Sudeste em situação preocupante, a vazão dos reservatórios de Furnas já foi reduzida neste mês. Caso a previsão de poucas chuvas até março se concretizem, o MME também estuda reduzir a água destinada para outros fins que não a geração de energia. As ações visam a reduzir os impactos negativos de reservatórios do Sudeste, com níveis baixos, principalmente em São Paulo. Por isso, o governo atua para manter o plano de operação vigente na usina Belo Monte, que tem uma contribuição importante no atendimento da demanda de energia elétrica na região mais populosa do país. Entenda a vazão de Belo Monte No início do ano, durante o período úmido, a vazão da hidrelétrica de Belo Monte é determinante para definir a capacidade de geração da usina. Nesta segunda se encerrou o prazo para que a Norte Energia, controladora da hidrelétrica de Belo Monte, apresentasse um novo plano para os níveis de água liberada no curso do rio Xingu, que atravessa 25 comunidades ribeirinhas e três povos indígenas. A empresa não enviou uma proposta para o Ibama, e alegou não ser possível fazer uma revisão imediata do chamada hidrograma. Na prática, a usina continua operando com os mesmos níveis de vazão. O volume de água liberado para abastecer o curso natural do Xingu é determinado pelo Ibama por meio de um documento chamado hidrograma. A parte que não segue para o rio é desviada para o reservatório de onde sai a água que move as turbinas da maior hidrelétrica instalada totalmente em território nacional. Quanto mais água é liberada para o rio, menos sobra para gerar energia. No caso específico de Belo Monte, as regras da concessão preveem que haveria revisão após a usina entrar em operação. É a discussão sobre a revisão desses termos que ocorre agora.