Liquidação da Reag: como ficam os investidores com recursos nos fundos de investimento da gestora?

A liquidação da gestora e administradora de investimentos Reag pelo Banco Central não traz riscos diretos aos investidores, segundo os especialistas. A decisão da autoridade monetária tem a mesma finalidade que no caso do Banco Master: a instituição deixa de operar no mercado financeiro, mas neste caso não há impacto sobre os fundos que ela administra ou tem sob gestão. Fim de linha: BC decreta liquidação da Reag, suspeita de fraudes com o Master e de relação com o PCC Portanto, dizem os especialistas, não há participação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) nesta liquidação. O FGC deverá ressarcir os investimentos de até R$ 250 mil por CPF ou CPNJ de clientes que tinham aplicações em CDBs do banco Master. — Os fundos oferecidos pela Reag no mercado (seja em sua plataforma ou em outras) permanecem ativos, mas precisarão buscar outras instituições para fazer sua administração. Diferente de um banco, a Reag não capta dinheiro diretamente com os clientes, isso é feito através dos fundos — explica o economista Alexandre Chaia, professor nas disciplinas de gestão de riscos financeiros e produtos bancários no Insper. Mas ele lembra que com a liquidação da Reag, todas as operações estão paralisadas e aguardam avaliação do BC. Portanto, os investidores terão acesso aos recursos assim que uma nova administradora assumir. Mas Chaia enfatiza que tanto os ativos (ações, títulos públicos, participações em empresas) contidos nos fundos, assim como seu patrimônio, permanecem intactos. Reag não é dona do dinheiro A Reag tinha mais de 600 fundos entre admistrados e sob gestão, segundo consta em seu site, com mais de R$ 300 bilhões em patrimônio, segundo informações da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que acompanha o mercado de capitais. Chaia observa que no caso da Reag, a gestora "não era dona do dinheiro", mas sim a administradora e gestora dos fundos em que eles estão aplicados. Caberá aos gestores dos fundos ou aos investidores indicar ao BC uma nova administradora para os fundos de investimento. Não háprazo esitulado, mas a expectativa é que a indicação ocorra o mais rápido possível. Os fundos são estruturados por bancos, assets, famílias que desejam gerir seu patrimônio e buscar a melhor rentabildade no mercado. Entre os gestores da Faria Lima, a informação que circula é que muitos gestores de fundos que estavam na Reag já vinham deixando a empresa depois da operação Carbono Oculto, no ano passado, que investigava a atuação do crime organizado no mercado de capitais utilizando fintechs, gestoras, e fundos de investimento para lavar dinheiro e ocultar patrimônio. A Reag foi um dos alvos dessa investigação, o que reduziu a confiança na instituição, dizem gestores. Se nenhuma nova administradora aceitar assumir os fundos até então sob gestão da Reag, o BC decreta a liquidação desses fundos e os clientes recebem o valor que cada fundo tiver até aquela data. Com a decretação da liquidação da Reag, todas as operações estão paralisadas e aguardam avaliação do BC.