Em meio a multidão de 6 milhões de foliões previstos pela RioTur para o carnaval de rua no Rio neste ano, a cidade já se preocupa com um cenário persistente de violência contra mulheres, com uma operação específica de atenção, acolhimento e apoio psicológico durante a folia. A ampliação da atuação ocorre em um contexto em que, segundo dados do Dossiê Mulher 2025, do Instituto de Segurança Pública (ISP), com ano-base 2024, mostram que 421 meninas ou mulheres são agredidas por dia no estado do Rio, o equivalente a 18 casos por hora. A Região Metropolitana concentra 71,1% das ocorrências. Anitta, Ludmilla, Lexa, Leo Santana e megablocos puxam carnaval de rua; são esperados mais de 6 milhões de foliões no Rio Orla carioca: Prefeitura dá prazo até esta sexta-feira para quiosques na Barra da Tijuca removerem 'puxadinhos' na areia É nesse cenário que a Secretaria Municipal da Mulher reforça a presença no Carnaval. Segundo o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, considerando também os desfiles na Sapucaí, o total de pessoas circulando pela cidade durante o período carnavalesco pode ultrapassar 8 milhões. Durante o período carnavalesco, a secretaria contará com equipes de apoio especializadas, formadas por profissionais identificadas e preparadas para oferecer atendimento imediato em casos de assédio ou violência contra a mulher. Psicólogas, advogadas e assistentes sociais estarão disponíveis para acolher as vítimas e realizar os encaminhamentos necessários, como delegacias, juizados ou outros serviços da rede de proteção. As ações acontecem nos blocos de rua e no carnaval dos parques, entre os dias 12 e 22 de fevereiro, com atenção especial aos territórios de maior concentração de público, como o Centro e parte da Zona Sul, sem deixar de fora a Zona Norte e a Zona Oeste.Segundo a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Joyce Trindade, o carnaval é um momento estratégico para ampliar o alcance das políticas públicas. — A gente entende que o carnaval é um momento fundamental para disseminar mensagens como ‘não é não’, ‘meu corpo, minhas regras’. Apesar de muitas acharem que são apenas frases de impacto, a gente já observa uma mudança cultural, inclusive na redução de situações de assédio durante grandes eventos — afirmou a secretaria na manhã desta quinta-feira, durante uma coletiva sobre a operação do carnaval de rua. Além do atendimento direto, a operação inclui uma campanha de conscientização, com a distribuição de materiais gráficos informativos, como adesivos de peito com a mensagem ‘Não é Não’, ventarolas (leques) e outros itens. As mobilizadoras também orientam as mulheres sobre como pedir ajuda e divulgam os canais oficiais de atendimento. Carnaval 2026: Ivete Sangalo cantará em megabloco no Rio em fevereiro — Nos parques, como o Parque Oeste, o Parque de Realengo e outros, observamos atendimentos diretos a mulheres, mães e chefes de família que, muitas vezes, não sabiam que podiam pedir ajuda. Nem sempre a violência acontece no Carnaval, mas esse é um período de conscientização e mobilização coletiva — explicou Joyce. Outro pilar da operação é a plataforma Mulher.Rio, que será amplamente divulgada durante o Carnaval de Rua. A ferramenta não exige download, o que facilita o acesso em situações de emergência. — Na plataforma, a mulher encontra a equipe mais próxima para pedir ajuda em casos de assédio ou qualquer tipo de violência. Ela também reúne informações sobre o que é considerado violência contra a mulher no Brasil, algo que muitas estrangeiras não conhecem —afirmou a secretária. Como novidade em 2026, a plataforma será traduzida para inglês, espanhol e francês, diante do aumento do número de turistas estrangeiras na cidade durante o Carnaval. A decisão de ampliar as equipes em 2026 veio após o crescimento do número de mulheres atendidas em grandes eventos no último ano. A secretária ainda alertou que grandes eventos costumam intensificar os casos de violência grave. — Em qualquer grande evento, a gente observa um aumento direto do feminicídio e das violências físicas mais agravadas, muito associado ao uso abusivo de álcool e drogas. Isso impacta diretamente nossa rede de acolhimento, inclusive o abrigamento sigiloso para mulheres que sofreram tentativa de feminicídio — afirmou. Em 2024, o estado registrou 107 vítimas de feminicídio, um aumento de 8,1% em relação a 2023, o segundo maior número em 11 anos. Antes de serem mortas, 56,1% das vítimas já haviam sofrido outras violências e não denunciaram. Entre as 154.193 mulheres que denunciaram violência no ano passado, 36,5% sofreram violência psicológica, 28,4% violência física, 24,6% violência moral, 5,4% violência patrimonial e 5,4% violência sexual. Em quase metade dos casos (45,3%), o agressor era companheiro ou ex-companheiro da vítima. Initial plugin text