Missão de navio da China no Rio gera alerta nas Forças Armadas

O navio-hospital da China Ark Silk Road deixou o porto do Rio de Janeiro nesta quinta-feira, 15, sem dissipar dúvidas levantadas durante sua passagem pelo Brasil. A embarcação, que permaneceu no país desde 8 de janeiro, despertou atenção de militares brasileiros por reunir sistemas capazes de mapear portos e coletar dados estratégicos do litoral. + Leia mais notícias de Política em Oeste Oficiais ouvidos pelo portal Poder360 relataram que a delegação chinesa não detalhou os objetivos da visita. Segundo esses militares, a ausência de informações claras gerou desconforto tanto na Marinha quanto no Itamaraty . O cenário regional ampliou a cautela, com maior presença militar dos Estados Unidos no Caribe e um ambiente de instabilidade na América Latina. Navio da China tem equipamento de monitoramento Segundo o site, o pedido de atracação chegou ao Brasil por nota diplomática enviada em 15 de setembro de 2025. O documento solicitou autorização para a permanência do navio entre 8 e 15 de janeiro, sem referência à Missão Harmony 2025, operação humanitária internacional da embarcação. Registros obtidos pela Lei de Acesso à Informação indicam que o Ministério das Relações Exteriores encaminhou a solicitação à Marinha sem menção a ações médicas. https://www.youtube.com/watch?v=etw43zzdyEk Militares brasileiros avaliam que o Ark Silk Road vai além do perfil de um navio médico convencional. A estrutura externa reúne número elevado de sensores, antenas e radares. Para oficiais, missões desse tipo costumam servir ao reconhecimento e à atualização de dados portuários. Outros países realizam práticas semelhantes, mas amparados por acordos bilaterais, inexistentes entre Brasil e China nessa área. A Missão Harmony 2025 começou em setembro de 2025 e prevê 220 dias de navegação, com escalas em 12 países da Oceania, do Caribe e da América Latina. A embarcação realizou milhares de atendimentos médicos e recebeu honras militares na Nicarágua. Entre os países latino-americanos do roteiro, apenas México e Brasil não integram a Iniciativa Cinturão e Rota. A visita chinesa coincidiu com a autorização para a atracação do navio norte-americano de pesquisa oceanográfica Ronald H. Brown em Suape, entre 14 e 21 de janeiro. A sobreposição reforçou a leitura de disputa estratégica entre Pequim e Washington. O Brasil, principal parceiro comercial da China e aliado histórico dos Estados Unidos na área de segurança, acabou inserido nesse tabuleiro de competição internacional. Leia também: "EUA vão investigar influência da China sobre o agronegócio brasileiro" O post Missão de navio da China no Rio gera alerta nas Forças Armadas apareceu primeiro em Revista Oeste .