Vereador é denunciado por quebra de decoro após fala sobre distribuição de bolo: 'Vai ter pobre fazendo pobrice?'

O vereador André Rodini (Novo) está em seu segundo mandato em Ribeirão Preto, SP Reprodução/Câmara dos Vereadores de Ribeirão Preto Uma denúncia protocolada na Câmara Municipal de Ribeirão Preto (SP) nesta quinta-feira (15) acusa o vereador André Rodini (Novo) de quebra de decoro parlamentar e pede a instalação de um processo disciplinar. Segundo o denunciante, Rodini teve uma conduta discriminatória ao comentar a distribuição gratuita do bolo de aniversário para comemorar os 125 anos do Mercadão Municipal, em setembro de 2025. “Vai ter pobre fazendo pobrice lá pegando bolo com balde?”, teria escrito o parlamentar em uma troca de mensagens com membros do próprio gabinete. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Vereador André Rodini (Novo) comenta distribuição de bolo gratuita em Ribeirão Preto, SP Reprodução Prints da conversa aos quais o g1 teve acesso foram juntados ao pedido entregue à Câmara assim como um pen drive com o arquivo original para análise. O denunciante, que era assessor do parlamentar na época, também afirma que foi demitido em novembro de 2025 porque repreendeu o vereador após a fala. Procurado pelo g1, o vereador disse que a frase não passou de uma brincadeira e que a denúncia feita em ano eleitoral tem o objetivo de prejudicá-lo. Segundo o parlamentar, o assessor foi demitido por baixo rendimento na função e má conduta que comprometia a operação do gabinete. Em nota, a Câmara dos Vereadores de Ribeirão Preto disse que o pedido será lido na primeira sessão ordinária do ano legislativo, marcada para o dia 2 de fevereiro. Na mesma sessão, o plenário deliberará, por meio de votação, sobre a admissibilidade da denúncia e a eventual instalação da Comissão Processante. Rodini está em seu segundo mandato. Ele foi reeleito em 2024 com 4.207 votos. Denúncia Consta no documento protocolado na Câmara que a fala de Rodini aconteceu em um diálogo para tratar da agenda oficial do parlamentar e de oportunidades para interagir com a população. Dois dias após a mensagem de Rodini sobre a distribuição de bolo, o assessor o advertiu do caráter inadequado e imoral do texto. “Fala infeliz pra caralho. Kardec condenaria qualquer frase que ridicularize pessoas pobres, pois isso demonstra orgulho e falta de caridade. Para ele, o verdadeiro espírita deve tratar todos com respeito e ajudar os que sofrem, jamais humilhar ou julgar. O espiritismo sempre prega fraternidade, compaixão e a luta contra o preconceito social”. O assessor continuou questionando o impacto de a fala “vazar para a mídia”. Segundo os prints aos quais o g1 teve acesso, Rodini respondeu que se houvesse vazamento, era porque algum dos membros do grupo tinham a intenção de que isso acontecesse. O parlamentar também defendeu que assuntos tratados por ele e por membros da equipe são de interesse apenas do gabinete. Também consta na denúncia que dois dias depois, o denunciante foi procurado pelo vereador para que deixasse o cargo de assessor. A saída aconteceu no início de novembro. Argumentos do denunciante Sobre a fala do parlamentar com relação à população mais humilde, o ex-assessor argumentou na denúncia que o decoro parlamentar exige que o agente político mantenha, na vida pública e privada, conduta compatível com a dignidade do mandato. “Tal atitude pode ser qualificada como absolutamente incompatível com a dignidade do cargo e com o respeito devido ao povo, sendo altamente reprovável”. Com relação à demissão, o ex-assessor defendeu que o desligamento não se deu por critérios técnicos, mas sim como punição pessoal por ter confrontado a conduta aporofóbica do parlamentar. Segundo ele, a exoneração soou como resposta direta à crítica, concluindo que houve certa retaliação política imediata. Em nota, a Câmara de Ribeirão Preto informou que caso a abertura da Comissão Processante seja aprovada, os membros serão definidos por sorteio. “A Câmara reforça que todo o trâmite seguirá rigorosamente o que determina a legislação vigente, assegurando o devido processo legal, o direito à ampla defesa e a transparência dos atos parlamentares.” Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca