Uma das situações que chamou a atenção dos investigadores na apuração sobre as fraudes do Banco Master foi o caso da Clínica Mais Médicos S.A., empresa que emitiu valores milionários em notas comerciais sem garantias e com capital social zero. A investigação aponta que a presidente dessa empresa, Valdenice Pantaleão, era uma laranja que recebia auxílio emergencial. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (15) o sigilo da decisão que autorizou a segunda fase da Operação Compliance Zero, realizada na quarta (14). Notas comerciais são títulos de dívidas emitidos por empresas como alternativa a empréstimos bancários. No caso da investigação sobre o Master, a clínica médica emitiu notas comerciais no valor de R$ 361 milhões mesmo sem estrutura suficiente para honrar com o pagamento desses títulos. Isso seria um indício de como o esquema usava a simulação de operações financeiras para inflar valores em favor dos beneficiários do esquema. Segundo a investigação, o Master colocava dinheiro que captava no mercado vendendo CBDs no mercado em fundos de investimento nos quais o próprio banco figurava como cotista único. Esses fundos eram usados para adquirir notas comerciais de empresas que, de acordo com a investigação, possuíam sociedade ou relações pessoais com sócios do Banco Master. "A análise específica nas emissões da CLÍNICA MAIS MÉDICOS S.A. revelou que esta empresa emitiu R$ 361.147.355,00 em NCs [notas comerciais] sem quaisquer garantias, sendo que seu capital social integralizado era zero e sua receita operacional bruta anual (R$ 54.079,64 em 2023) era superada pelo valor da dívida em mais de 6.500 vezes, o que demonstra uma alavancagem manifestamente incompatível com qualquer parâmetro de viabilidade econômica", diz Valdenice tem como procurador Fernando Alves Vieira, que, de acordo com as apurações, possui vínculos com familiares de sócios do Banco Master, de Daniel Vorcaro. "Assim, dos mais de R$ 3,5 bilhões investidos pelo Banco Master em fundos dos quais é cotista único aproximadamente R$ 1,8 bilhão foi destinado à aquisição de NCs emitidas por empresas vinculadas aos próprios sócios, o que caracteriza a presença de fortes indícios de estruturação financeira irregular e simulação de operações, resultando, após a consolidação com as operações correlatas, em um valor global de R$ 5.775.234.097,25", afirma o MPF na documentação liberada por Toffoli. - Esta reportagem está em atualização.