Climão entre políticos evangélicos do DF

Tudo começou quando a senadora brasiliense Damares Alves, do Republicanos, disse que a CPMI do INSS identificou a participação de “grandes igrejas” no esquema de descontos ilegais dos aposentados. Damares se declarou “muito triste com isso”, mas completou revelando que a comissão vinha sofrendo pressões de instituições e de parlamentares que buscavam atrapalhar as investigações por terem identificado “grandes igrejas e grandes pastores” como participantes dos desvios ilegais. A declaração foi criticada pelo pastor Silas Malafaia, bolsonarista como a própria Damares, que chamou a senadora de “linguaruda”. Possível participação de igrejas “machuca muito”, apontou Damares. “Quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘não falem, não digam, não, porque os fiéis vão ficar muito tristes’”, afirmou. Dados constam da CPMI Depois da repercussão, a senadora disse que as informações são públicas e foram discutidas na comissão. Nessa resposta, Damares reforça que o possível envolvimento de entidades religiosas “causa profundo desconforto e tristeza”. Foi além, declarando que, “ainda assim, a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental”, disse ela. Preso há dois dias, o cunhado do dono do Banco Master é pastor. Fabiano Campos Zettel, o cunhado, participava da Igreja da Lagoinha, bastante popular em Minas Gerais, e foi alvo de pedido de depoimento na CPMI que acabou não votado. Segundo Malafaia, a liderança evangélica do país “está indignada” com a postura “covarde e vergonhosa” da senadora. O pastor disse ainda que não vai passar a mão na cabeça de ninguém, mas que Damares deve apresentar provas. Damares nem precisou citar. A própria CPMI listou quatro igrejas, que tiveram pedido de quebra de sigilo fiscal e bancário, além de intimar cinco pastores a prestar depoimento: além de Zettel, estão na lista Cesar Belucci, André Machado Valadão, Péricles Albino Gonçalves e André Fernandes.