Transferência de Bolsonaro ‘não é bondade’ de Moraes, avalia desembargador

A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal (PF) para a Papudinha “não é bondade” e “não tem nada de humanidade”. A avaliação é do desembargador aposentado Sebastião Coelho, em entrevista ao Oeste Sem Filtro desta quinta-feira, 15, ao comentar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. + Leia mais notícias de Política em Oeste Segundo Coelho, a medida “em hipótese alguma” deve ser interpretada como prisão humanitária. Para o desembargador, a condição de saúde do ex-presidente justificaria a concessão de prisão domiciliar . “Ele deveria ter uma prisão humanitária, ir para casa”, disse, ao mencionar sua idade e seu histórico de cirurgias. O desembargador também questionou o local definido para o cumprimento da pena. De acordo com ele, por ser militar da reserva, Bolsonaro deveria permanecer em instalação das Forças Armadas. “Em estando condenado, o local adequado para sua prisão seria uma unidade do Exército Brasileiro”, declarou. https://www.youtube.com/watch?v=ooGgJn3AmL4 Comparação entre a PF e a Papudinha para Bolsonaro Durante a entrevista, Coelho detalhou as características da Papudinha, unidade da Polícia Militar do Distrito Federal localizada dentro do Complexo Penitenciário da Papuda. “Logo que você passa no primeiro posto de identificação, à direita tem um quartel da polícia militar do DF”, explicou. Na comparação com a permanência de Bolsonaro na PF, o desembargador afirmou que as condições estruturais são melhores. “O local que o Bolsonaro está indo é dez vezes melhor do que a PF”, disse. Segundo ele, os alojamentos possuem “em média mais de 50 m²”, com banheiro e monitoramento constante. Apesar disso, Coelho ressaltou que a melhoria não caracteriza concessão de benefício humanitário. “Não tem nada de humanitário nisso, ele está tentando amenizar uma situação que ele mesmo criou”, afirmou, em referência a Moraes. O desembargador também criticou as condições enfrentadas por Bolsonaro na Superintendência da PF. “Ali na PF, numa cela 3x4, Bolsonaro estava numa situação de tortura absoluta”, declarou. Para ele, a transferência representa apenas uma condição “melhor do que estava sendo submetido”. Ao final, Coelho reiterou que, em sua avaliação, a decisão não resolve o que considera o problema central do caso. “Essa decisão de Alexandre de Moraes não tem nada de bondade, não tem nada de humanidade”, afirmou, ao reforçar a avaliação de que a prisão domiciliar seria a medida adequada. Leia também: “Togas fora da lei” , artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste O post Transferência de Bolsonaro ‘não é bondade’ de Moraes, avalia desembargador apareceu primeiro em Revista Oeste .