Decisões judiciais travaram o andamento das investigações sobre fraudes no Banco Master ao impedir a realização simultânea de duas operações planejadas para novembro do ano passado. As autoridades pretendiam agir em conjunto para interceptar diferentes ramificações do esquema, mas a demora da Justiça comprometeu a estratégia dos investigadores. A primeira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro , proprietário do Banco Master, ocorreu em 17 de novembro. + Leia mais notícias de Economia em Oeste No mesmo dia, o Banco Central (BC) aprovou a liquidação do banco, medida anunciada em 18 de novembro, antes do início das negociações no mercado financeiro. Quase dois meses depois, em 14 de janeiro, a Polícia Federal (PF) realizou a segunda fase, com foco em operações suspeitas nos fundos de investimento da Reag, administrados por pessoas ligadas a Vorcaro, segundo os autos. https://www.youtube.com/watch?v=EnfjjZtV7yo Ações judiciais e entraves operacionais O Banco Central denunciou ao Ministério Público Federal (MPF) a comercialização de carteiras de crédito falsas ao BRB, e o MPF encaminhou à Justiça em Brasília o pedido relativo à primeira etapa. As autoridades calcularam o valor das fraudes em R$ 12,2 bilhões. Já a solicitação para buscas e apreensões relacionadas aos fundos de investimento foi feita à Justiça Federal de São Paulo, ainda em outubro do ano passado. As investigações detalharam uma estrutura financeira envolvendo empresas e intermediários vinculados ao Banco Master e a Vorcaro. Esse mecanismo antecedeu as fraudes dos créditos consignados vendidos ao banco público do Distrito Federal, mas entraves judiciais atrasaram a execução da operação sobre os fundos. Um investigador, sob condição de anonimato, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que “o plano era fazer tudo junto pelas conexões entre os dois casos, mas a Justiça de São Paulo não deu autorização a tempo”. Diante do risco de prejudicar as apurações, as autoridades decidiram avançar com a primeira operação. A PF já monitorava os movimentos de Vorcaro e detectou três tentativas de saída do país pelo ex-banqueiro. No intervalo entre as operações, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) , decidiu, em 3 de dezembro, assumir a condução de todos os procedimentos envolvendo Vorcaro e o Banco Master, depois de um pedido da defesa do empresário apresentado em 28 de novembro. Sigilo, críticas e repercussão institucional A apreensão de um envelope com documentos de uma transação imobiliária referente ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) motivou a solicitação de análise do Supremo. Toffoli impôs sigilo máximo ao processo, restringindo o acesso a dados das partes e ao conteúdo das decisões. Posteriormente, o ministro autorizou a realização da segunda fase da operação, mas criticou publicamente a PF por atrasos e exigiu explicações do diretor-geral, Andrei Rodrigues. Andrei Rodrigues justificou ao ministro que o cumprimento fora do prazo decorreu de dificuldades operacionais e da necessidade de atualização dos endereços dos alvos. Leia também: "Toffoli, ‘il pizzaiolo’" , artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 304 da Revista Oeste Apesar das críticas, Toffoli manteve o sigilo e determinou que o material apreendido na etapa mais recente permanecesse sob custódia da Procuradoria-Geral da República (PGR) , não da Polícia Federal. Depois da divulgação do despacho, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, visitou a sede da Polícia Federal na noite desta quarta-feira 14, para manifestar apoio ao diretor-geral diante das críticas feitas pelo STF. Eles foram fotografados juntos no encontro. Vorcaro, que tinha reunião agendada no Banco Central na semana da primeira operação, antecipou o compromisso para o dia 17 de novembro, sendo preso à noite no aeroporto de Guarulhos quando tentava deixar o país. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar sob monitoramento da Polícia Federal. O post Atraso da Justiça travou ações contra fraudes no Banco Master, diz jornal apareceu primeiro em Revista Oeste .