Horas depois de determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Papudinha, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que hoje já fez “o que tinha que fazer”. A declaração foi feita durante a colação de grau da 194ª turma do curso de Direito da Universidade de São Paulo, realizada nesta quinta-feira, 15, em uma casa de eventos na zona sul da capital paulista. A fala ocorreu enquanto Moraes discursava como patrono da turma. Em tom informal, ao comentar a duração das falas no evento, o ministro afirmou: “Vocês percebem que ninguém cumpriu os três minutos, quase tive que tomar algumas medidas”, e ironizou: “Mas me contive hoje, acho que hoje já fiz o que tinha que fazer”. + Leia mais notícias de Política em Oeste A declaração foi proferida no mesmo dia em que Moraes determinou a transferência de Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade que integra o Complexo Penitenciário da Papuda e é conhecida como Papudinha . O ministro afirmou ainda que os formandos do Largo São Francisco não devem ser apenas profissionais do direito, mas pessoas comprometidas com o país e com o legado da faculdade. Como exemplos, ele citou a atuação de ex-alunos contra o governo de Getúlio Vargas e na Revolução Constitucionalista de 1932. "Temos uma responsabilidade daqueles que lá atrás lutaram pela República", declarou. https://twitter.com/revistaoeste/status/2011980730989965480 Moraes transferiu Bolsonaro para a Papudinha A decisão que determinou a transferência de Bolsonaro para a Papudinha ocorre depois de uma série de medidas adotadas por Moraes no âmbito do processo da chamada trama golpista. Em setembro, a 1ª Turma do STF condenou o ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, deterioração de patrimônio público e dano qualificado. Posteriormente, em 22 de novembro do ano passado, Moraes decretou a prisão preventiva do ex-presidente. A decisão não teve como fundamento direto a condenação, mas o fato de Bolsonaro ter tentado romper a tornozeleira eletrônica enquanto estava em regime de prisão domiciliar. Desde 1º de janeiro, Bolsonaro estava sob custódia na Superintendência da Polícia Federal. A transferência para a Papudinha foi determinada mesmo diante do estado de saúde do ex-presidente, que foi vítima de um atentado a faca durante a campanha eleitoral de 2018 e passou por 15 cirurgias desde então. Mais recentemente, Bolsonaro ficou internado no Hospital DF Star durante o Natal e o Réveillon, quando passou por quatro cirurgias para corrigir duas hérnias inguinais e bloqueios do nervo frênico. No último dia 6, já de volta à custódia da Polícia Federal, ele sofreu traumatismo craniano ao cair da cama depois de passar mal. Leia também: “O Supremo tem lado” , artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 298 da Revista Oeste O post Depois de enviar Bolsonaro à Papudinha, Moraes diz ter feito ‘o que tinha que fazer’ apareceu primeiro em Revista Oeste .