De Adele a Marília Mendonça: músicas para ouvir sozinho após um término e reorganizar sentimentos

O fim de um relacionamento nem sempre vem acompanhado de respostas, longas conversas ou explicações definitivas. Muitas vezes, o que se impõe é o silêncio, um espaço vazio em que sentimentos se acumulam sem encontrar palavras. É nesse intervalo, entre o que acabou e o que ainda precisa ser elaborado, que a música costuma assumir um papel de companhia discreta, capaz de acolher emoções que ainda não sabem como se organizar. Quem é a DJ brasileira que se descobriu melossexual e explica a influência da música em seus relacionamentos Você é melossexual? Conheça a condição de quem busca pela sintonia musical perfeita Pensando nesse momento de recolhimento, a DJ brasileira Scheila Santos reuniu uma seleção de sete músicas pensadas para serem ouvidas sozinho, no próprio tempo, depois que a relação chega ao fim. A proposta da playlist não é acelerar processos nem disfarçar a tristeza, mas permitir que ela exista sem pressa, como parte do caminho emocional de quem atravessa um término. Para Scheila, ouvir música a sós depois de uma separação funciona quase como um exercício de organização interna. "A música não resolve a dor, mas ajuda a dar forma ao que está confuso. Às vezes, é mais fácil sentir do que explicar", afirma. Entre as escolhas está "Heartbreak Anniversary", de Giveon, uma canção sobre datas que continuam doendo mesmo depois do rompimento. A faixa aborda aniversários, lembranças e marcos afetivos que retornam quase sem aviso, dialogando com quem já aceitou o fim, mas ainda carrega o peso do que foi vivido. Já "Someone You Loved", de Adele, trata do vazio deixado por alguém que ocupava um espaço central na vida e da dificuldade de aprender a existir sem esse apoio emocional. Na mesma chave sensível, "I Hate U", de SZA, percorre sentimentos contraditórios comuns após o término, como raiva, frustração e apego, sem tentar organizá-los. Para Scheila, é uma música que conversa com quem ainda está confuso, oscilando entre querer distância e sentir falta. Em "Send My Love (To Your New Lover)", Adele assume um tom de virada emocional, falando sobre deixar o passado para trás sem ressentimento explícito e seguir adiante com mais clareza. O repertório também abre espaço para a música brasileira. "Todo Mundo Vai Sofrer", de Marília Mendonça, encara o sofrimento como parte inevitável das relações e normaliza a dor do fim de forma direta. Segundo Scheila, a canção ajuda a aliviar a sensação de isolamento, ao lembrar que todo mundo passa por isso em algum momento. Já em "Cuida Bem Dela", de Henrique & Juliano, a narrativa gira em torno da aceitação do término, quando a esperança de reconciliação começa a dar lugar a uma despedida definitiva. A seleção se completa com "Propaganda", de Jorge & Mateus, que retrata a tentativa de convencer a si de que o amor acabou, mesmo quando o sentimento ainda insiste em permanecer. A música fala de orgulho, negação e saudade, emoções recorrentes na fase em que se diz que superou, mas ainda não superou. Scheila avalia que a música não apaga a dor do término, mas torna o processo menos solitário. "Nem sempre a gente precisa entender tudo de imediato. Às vezes, ouvir a música certa no momento certo já ajuda a atravessar o dia", diz.