Incidência de raios cresce mais de 250% na cidade de São Paulo no início deste ano

As duas primeiras semanas de 2026 na cidade de São Paulo foram marcadas pelos clarões constantes no céu durante as tardes chuvosas que atingem diariamente a região metropolitana neste verão. Os temporais em janeiro são recorrentes, mas os raios e trovões estão fora da curva, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os números do Laboratório de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Inpe levantados para O GLOBO mostram um crescimento de 250% no número de raios na comparação dos períodos de 1º a 14 de janeiro de 2025 com as mesmas datas de 2026. Nas duas primeiras semanas deste ano foram 4.729 raios registrados na cidade de São Paulo. Em 2025, o registrado foi bem menor, de 1.344 raios. O aumento também é observado no número de descargas nas nuvens — quando a energia é descarregada dentro da própria nuvem ou de uma nuvem para a outra, mas não chega a ir em direção ao solo. Foram registradas 13.264 descargas nas nuvens no início deste ano, contra 3.520 no mesmo período do ano passado, um aumento de 276%. A onda de calor que atinge a Grande São Paulo é o principal motivo para a alta, explica o pesquisador do Inpe, Osmar Pinto Jr. Ele explica que o dado para as primeiras duas semanas do ano indica o que devemos esperar para essa temporada de chuvas. — A ocorrência grande de raios é esperada (nesse período do ano), mas esse aumento expressivo mostra algo diferente pelas temperaturas recordes. No sudeste o período de maior ocorrência (de raios) é o verão, do final de dezembro a março — conta Pinto Jr. No dia 25 de dezembro, no Natal, a cidade registrou a maior temperatura para o mês de dezembro da história, com 35,9ºC. O recorde anterior para dezembro — 35,6 °C — foi registrado em 3 de dezembro de 1998, no Mirante de Santana, a principal estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em São Paulo. Em 2025 o dia mais quente na cidade havia sido registrado em 6 de outubro, com 35,1ºC. Nas últimas semanas, as temperaturas tem atingido mais de 30ºC. No ano passado, pesquisadores do Inpe se debruçaram sobre os dados das tempestades severas que atingem cidades São Paulo e Rio e concluíram que esse tipo de fenômeno, acompanhados justamente da alta carga de raios e dos ventos fortes, deve crescer de 20% a 30% de 2025 a 2034. O aumento de raios na cidade de São Paulo é um sintoma do agravamento desse tipo de evento. Os cientistas detectaram que o fenômeno é impulsionado pela mudança climática global e pela intensidade do El Ninõ, o superaquecimento das águas do Pacífico. O Brasil é recordista mundial de chuvas fortes com raios e ventos, com cerca de 500 mil ocorrências por ano. 1% dessas ocorrências, ou 5 mil eventos extremos por ano, são as tempestades de categoria severa. As duas características principais de tempestades dessa classificação são ventos a mais de 70 km/h ou o registro de mil raios ou mais num evento de um único dia. Os dados mostram que a Amazônia é a região campeã de descargas elétricas no país, e São Paulo e Rio não estão entre as áreas mais atingidas por tempestades desse tipo. As cidades foram escolhidas como foco da pesquisa de 2025 por terem grande concentração populacional e serem mais vulneráveis ao impacto de temporais. Alagamentos, rajadas de vento e granizo Temporal volta a atingir a cidade de São Paulo nesta quinta Os últimos dias na capital paulista estão sendo marcados pela incidência de fortes tempestades ao fim de tarde. Na quarta-feira (14), por exemplo, um temporal deixou mais de 35 mil imóveis sem energia elétrica, provocou queda de árvores e alagamentos em bairros da Zona Oeste, como o Morumbi. O Corpo de Bombeiros registrou 25 chamados para quedas de árvores em toda a Região Metropolitana e rajadas de vento que chegaram aos 87 km/h atingiram a região do M'Boi Mirim, na Zona Sul da cidade. As áreas mais ao oeste da capital paulista, próximas dos municípios de Osasco e Barueri, registram a queda de granizo, como o Butantã. Na quinta-feira (15) o mau tempo se repetiu. O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da prefeitura de São Paulo colocou toda a cidade em estado de alerta para transbordamentos por volta das 16h.