Uma equipe de cientistas da Universidade de Chicago apresentou um novo modelo para explicar a atmosfera de Júpiter, trazendo pistas relevantes sobre a formação do planeta e, por extensão, do próprio sistema solar. O estudo foi publicado na quinta-feira (8) no periódico The Planetary Science Journal e se baseia na integração de dados de missões espaciais com novas ferramentas computacionais. 'Megaconstelação’: China pede autorização à ONU para lançar quase 200 mil satélites na órbita da Terra De acordo com comunicado da universidade, a análise revisita um debate antigo da ciência planetária: a quantidade de oxigênio presente em Júpiter. As estimativas indicam que o gigante gasoso possui cerca de uma vez e meia mais oxigênio do que o Sol. Essa diferença ajuda os pesquisadores a reconstruir como os planetas se formaram a partir da mesma matéria primordial que deu origem à estrela central do sistema. “Este é um debate antigo nos estudos planetários”, afirmou Jeehyun Yang, pesquisador de pós-doutorado e autor principal do trabalho, ao destacar que a nova geração de modelos computacionais pode transformar a compreensão não apenas de Júpiter, mas também de outros planetas. Uma atmosfera mais lenta do que o esperado Outro resultado considerado inesperado foi a constatação de que a circulação vertical da atmosfera de Júpiter é entre 35 e 40 vezes mais lenta do que apontavam modelos anteriores. Segundo Yang, o novo modelo sugere que a difusão dos gases ocorre de forma muito mais gradual, podendo levar semanas para que uma molécula atravesse uma camada atmosférica, e não apenas algumas horas. Essa lentidão implica processos químicos e físicos mais longos e complexos no interior do planeta, o que acrescenta novos desafios à interpretação de fenômenos já conhecidos, como as intensas tempestades e os ventos extremos. A Universidade de Chicago lembra que os céus tempestuosos de Júpiter são observados há pelo menos 360 anos, desde que astrônomos registraram a Grande Mancha Vermelha, uma tempestade duas vezes maior que a Terra que persiste há séculos. O modelo combina medições obtidas por missões como Galileo e Juno — que permitiram analisar a atmosfera superior — com dados sobre reações químicas e o comportamento de nuvens e gotículas. Isso possibilitou estimar a presença de compostos como amônia, metano, água, monóxido de carbono e hidrossulfeto de amônio, aprofundando a visão sobre a atmosfera profunda do planeta. Segundo os autores, o avanço só foi possível graças à colaboração entre instituições como a Universidade de Chicago e o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), com apoio da NASA e do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Apesar dos progressos, Yang ressalta que muitas perguntas permanecem em aberto. “Isso mostra o quanto ainda temos a aprender sobre os planetas, mesmo em nosso próprio sistema solar”, afirmou. Especialistas destacam que o estudo não apenas amplia o conhecimento sobre Júpiter, mas também oferece uma base para investigar a formação de outros planetas, dentro e fora do sistema solar, reforçando o papel dos gigantes gasosos como peças-chave na história cósmica.