O tsunami meteorológico que atingiu praias da província de Buenos Aires nesta semana reacendeu dúvidas sobre a possibilidade de episódios semelhantes no Brasil. Especialistas afirmam que o fenômeno argentino não representa ameaça direta ao litoral brasileiro, mas ressaltam que eventos desse tipo podem ocorrer de forma localizada, sobretudo no Sul do país. 'Mini tsunami': mar avança repentinamente e deixa ao menos um morto e 35 feridos na Argentina; vídeo Entenda o que é um 'meteotsunami', onda gigante que deixou um morto e 35 feridos em praia da Argentina Diferentemente dos tsunamis provocados por terremotos, o meteotsunami tem origem atmosférica. Ele surge a partir de variações rápidas da pressão do ar associadas a ventos intensos, geralmente ligados à passagem de frentes frias ou ciclones extratropicais. Quando essas condições coincidem com características favoráveis do oceano, como águas rasas, o nível do mar pode subir de forma abrupta. Sinais de alerta e risco local Um dos principais indícios de perigo é o recuo súbito do mar, que antecede a chegada da onda. Segundo especialistas, esse comportamento deve ser interpretado como sinal de risco imediato, exigindo que as pessoas deixem a faixa de areia sem hesitação. No Brasil, registros de meteotsunamis são raros, mas existem. De acordo com o Uol, episódios documentados nos últimos anos no litoral de Santa Catarina resultaram em danos materiais e situações de pânico, embora sem vítimas fatais. Por décadas, eventos desse tipo foram classificados apenas como ressaca, já que a identificação precisa costuma ocorrer apenas após a análise de dados meteorológicos e do nível do mar. A previsão desses fenômenos ainda enfrenta limitações, sobretudo pelo curto intervalo entre a formação do sistema atmosférico e o impacto na costa. Especialistas ouvidos pela Uol destacam que o aumento da frequência de eventos extremos, associado ao aquecimento dos oceanos, pode elevar a chance de ocorrências semelhantes no futuro. Na Argentina, o episódio ocorreu após um dia de calor intenso e foi marcado por variações bruscas no nível do mar registradas em portos da região. A onda repentina surpreendeu banhistas e foi associada à atuação de um sistema atmosférico instável sobre o oceano.