As investigações sobre o incêndio em um bar na Suíça na noite de Ano Novo seguem para apurar o que aconteceu na madrugada, que culminou em 40 mortos e 116 feridos. Uma das perguntas a ser respondida é sobre como o fogo teria começado. Uma das linhas é de que a garçonete Cyane Panine, de 24 anos, uma das vítimas fatais, encostou as velas de faísca de uma das garrafas que segurava no teto do estabelecimento, que era revestido com um material inflamável. Tragédia na Suíça no Ano Novo: garçonete morta apontada como responsável por incêndio em bar exigia direitos trabalhistas, diz família Vítimas de incêndio em bar na Suíça no Ano Novo receberão ajuda do governo Testemunhas estão sendo ouvidas sobre o caso no Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana. A família da jovem veio a público afirmando que Cyane não recebeu treinamento de segurança e desconhecia os riscos das chamas próximas ao teto. Uma testemunha deu uma declaração, que consta em um relatório oficial elaborado pelas autoridades suíças, de que a jovem usava um capacete que impedia a visão em determinados ângulos, o que teria impedido de ver que as velas tocavam o teto. Essa testemunha afirmou que Cyane usou o capacete a pedido da gerente do bar, Jessica Moretti, de 40 anos, que responde em liberdade após pagamento de fiança e uso de tornozeleira eletrônica. Esse é um item promocional da Dom Perignon, marca do champagne das garrafas que ela segurava e tinham as velas de faísca presas. De acordo com o relatório, o uso do acessório reduzia o campo de visão de Cyane significativamente, por isso, não conseguia ver as velas "tocando o teto", destacou o jornal inglês Daily Mail. A advogada Sophie Haenni, que representa a família de Cyane, disse à BBC que a jovem "não deveria estar servindo mesas" na noite do incêndio, mas que foi pedido para descer para ajudar no atendimento e na alta demanda de garrafas. — Não foi a própria Cyane que decidiu usar esse capacete, foi a pedido de seus empregadores. Ela estava apenas fazendo seu trabalho — disse Sophie Haenni à BBC. A advogada ainda destacou que Cyane nunca foi informada "do perigo do teto e não recebeu nenhum treinamento de segurança". 'Voltem para seu país de origem ou vamos deportá-los': EUA anunciam fim de visto temporário a cidadãos da Somália O teto do bar, estabelecimento que funcionava num porão, era revestido com uma espuma de isolamento acústico. O material inflamável teria propagado as chamas rapidamente. As velas presas as garrafas que Cyane segurava encostaram no teto quando a jovem estava sobre os ombros Mateo Lesguer, de 23 anos, o DJ residente. O rapaz usava uma máscara, do personagem "V de Vingança" durante a festa. Ele também morreu no incêndio. De acordo com as investigações, era recorrente o uso de velas presas Às garrafas de champagne, como uma forma de apresentação no estabelecimento. Discordâncias sobre relação Os proprietários do bar, Jacques Moretti e Jessica Moretti, respondem na Justiça por acusações que incluem homicídio culposo por negligência. Em audiências, o casal afirmou que Cyane era tratada como “enteada” e “irmã”, versão rebatida pela família da vítima. Morta a tiros: ONU pede investigação independente sobre morte de mulher baleada por agente migratório nos EUA Em entrevista à televisão francesa, a advogada Sophie Haenni, que representa os parentes da garçonete, afirmou que Cyane havia procurado o serviço de proteção ao trabalhador para reivindicar direitos básicos, como contrato formal, comprovantes de salário e certificado de trabalho — documentos exigidos pela legislação suíça. — Não havia familiaridade entre eles. O que existia era uma relação profissional marcada por conflitos — disse a advogada, acrescentando que a jovem também reclamava de ordens e do tratamento recebido no ambiente de trabalho. Segundo a defesa da família, as mensagens trocadas entre Cyane e os proprietários tinham tom formal, incompatível com a imagem de proximidade apresentada pelos réus. Jacques Moretti permanece em prisão preventiva e, de acordo com registros judiciais, já teve condenações anteriores por outros crimes. Roubo curioso: Ladrões armados roubam mais de meio milhão em cartas Pokémon de loja em Nova York; vídeo Os pais da vítima, Jérôme e Astrid Panine, demonstraram indignação com declarações emocionadas feitas por Jessica Moretti em audiência recente, nas quais ela se referiu à garçonete como “uma irmã” e admitiu saber que a prática com velas de champanhe era recorrente no bar, apesar dos riscos. A família afirma ter recebido com frustração o pedido de desculpas apresentado pela proprietária, por considerá-lo incompatível com os fatos apurados. — Há um sentimento profundo de injustiça e impotência. Eles vão lutar para que os responsáveis sejam condenados — afirmou a advogada.