6 maneiras não convencionais (e que funcionam) de despertar o desejo sexual

Quando se trata de melhorar a libido, o melhor conselho — aquele que é realmente baseado em evidências — costuma ser pouco sedutor: dormir bem. Controlar o estresse. Resolver conflitos no relacionamento ou questões médicas que possam estar minando o desejo sexual. Mas, mesmo que você consiga fazer tudo isso, o desejo pode parecer escorregadio e difícil de alcançar, mudando constantemente em resposta a uma lista quase interminável de fatores que vai desde a imagem corporal e os hormônios até aquela coisa irritante que o parceiro acabou de dizer. Não é de se estranhar que as discrepâncias de desejo estejam entre os principais motivos que levam casais a procurar terapia. Ainda assim, muitos de nós insistimos na ideia de que a libido “deveria” funcionar como um interruptor de luz, afirma Emily Morse, educadora sexual e apresentadora do podcast Sex With Emily. E nos sentimos mal quando isso não acontece. — Eu não penso na libido como algo que você realmente aumenta ou conserta — conta Morse. — É algo para o qual você cria as condições. Conversei com Morse e com um grupo de terapeutas e educadores sexuais sobre algumas estratégias que podem ajudar. Faça uma auditoria do que desliga o desejo Quando se tenta reacender o desejo, pode parecer contraditório focar em tudo aquilo que desestimula a excitação. Mas se esforçar para entender melhor o que costuma reduzir o seu desejo pode ser útil, aponta David F. Khalili, sexólogo e terapeuta familiar e de casais. Ele explicou que as pessoas muitas vezes acham que a baixa libido é algo que se “conserta” por adição — comprando novos brinquedos sexuais, por exemplo, ou aprendendo novas técnicas. Khalili observa que, com frequência, é mais fácil para seus pacientes identificar aquilo que atrapalha o desejo. Os chamados “assassinos da libido” podem incluir "sentir-se criticado, preliminares apressadas, fazer sexo quando se está exausto ou seguir sempre o mesmo roteiro previsível", explica ele. Até um pijama velho ou usar meias na cama pode ser o problema. Tente manter a lista específica e foque em coisas que estejam sob seu controle, recomenda Khalili. Pode ajudar anotar dois fatores que desligam o desejo e dois que estimulam, para conversar com o parceiro — de preferência quando ninguém estiver distraído ou cansado — e expressar gratidão, talvez compartilhando o que você ama na relação. Planeje a intimidade do jeito certo Marcar sexo na agenda virou um conselho clichê. E, embora ajude alguns casais, também pode dar errado, diz Rachel Wright, terapeuta familiar e de casais. Quando ela sugere que seus pacientes agendem sexo, muitas vezes o que eles ouvem é uma ordem: às 20h, eu preciso ter relação sexual. Ao longo do dia, surge uma sensação de pressão iminente. Em vez disso, ela incentiva os clientes a pensarem nisso como — agendar um espaço para a intimidade física. Isso pode significar reservar uma hora na agenda para toques não sexuais, sugere ela, como ficar abraçado no sofá ou trocar massagens nas costas. Muitas pessoas vivenciam o chamado “desejo responsivo”, ou seja, o desejo que surge em resposta ao toque ou a outros estímulos eróticos, em vez de impulsos sexuais que aparecem espontaneamente. Assim, você pode começar essa hora completamente desinteressado em sexo, mas perceber que o desejo começa a surgir em resposta ao parceiro — por exemplo, ao sentir uma massagem suave nas costas —, explica Wright. Mesmo que essa intimidade física planejada não leve ao sexo, ela pode ajudar o casal a se sentir mais próximo e mais conectado um ao outro e ao próprio corpo. Em um dia em que o sexo está marcado na agenda, faça o possível para tomar decisões “a favor do sexo” ao longo do dia, recomenda Ian Kerner, autor de “She comes first” (“Ela vem/goza antes”, em tradução livre) e terapeuta sexual. — Sejam gentis um com o outro, evitem conflitos, ajudem a deixar tudo organizado, vão à academia — diz ele. (Exercícios podem ajudar na função sexual.) Igualmente importante: evite atividades que ele chamou de “anti-sexo”, como trazer muito trabalho para casa ou praticar o phubbing — dar mais atenção ao celular do que ao parceiro. Coloque óculos cor-de-rosa Adotar uma visão mais compassiva do parceiro pode ajudar a estimular a libido, explica a conselheira sexual Lori Davis. — Nunca vamos ficar excitados se acharmos que nosso parceiro é um idiota e que ele não sabe carregar a lava-louças do jeito certo. Precisamos silenciar esse viés negativo — diz. Você pode se perguntar: o que eu aprecio nessa pessoa? Sobre o que estou sendo crítico? Posso deixar essas coisas fora do quarto, pelo menos por um tempo? Segundo ela, se você perceber que aquilo que está tentando deixar do lado de fora do quarto é impossível de ignorar, isso é uma informação importante. Muitas vezes, pessoas que lutam com baixo desejo estão, na verdade, enfrentando bloqueios emocionais ou relacionais mais profundos, explica Balestrieri, psicóloga e terapeuta sexual, autora de “What happened to my sex life?” (“O que aconteceu com a minha vida sexual?”). Segundo Balestrieri, pode ajudar refletir sobre perguntas como: estou agradando demais as pessoas nessa relação? Consigo ser mais assertivo sobre o que quero? Minhas necessidades estão sendo atendidas? Mude quem inicia, quando e como Qualquer pessoa que já tenha sentido desejo por uma paixão sabe como a novidade pode alimentar o desejo. Quando surgem as “borboletas no estômago”, parte disso acontece porque há uma queda no neurotransmissor serotonina e um aumento na dopamina, afirma Justin Garcia, biólogo evolucionista e diretor do Instituto Kinsey. Por outro lado, pesquisas mostram que a familiaridade pode prejudicar o funcionamento sexual. Mas nem tudo está perdido para quem está em relacionamentos de longo prazo, dizem os especialistas. Uma ou duas mudanças simples no roteiro sexual habitual podem trazer uma dose de excitação. — Se você costuma esperar, tente tomar a iniciativa — recomenda Justin Pere, terapeuta sexual em Seattle. Não se preocupe se parecer estranho ou se não levar ao sexo, disse ele, acrescentando que dar o primeiro passo às vezes reintroduz uma sensação de autonomia ou confiança sexual. Outra opção é mudar o horário em que vocês fazem sexo. Joan Price, educadora sexual e autora de “Naked at our age: talking out loud about senior sex” (“Pelados na nossa idade: falando livremente sobre sexo maduro”), recomendou passar uma ou duas semanas observando atentamente se há momentos específicos do dia em que você costuma se sentir mais excitado ou simplesmente mais relaxado. Use essa informação para agendar a intimidade ou agir no momento, recomenda. Aprendam algo novo juntos Experimentar uma atividade nova — de preferência algo tátil — pode ajudar as pessoas a se abrirem para a intimidade, sugere Balestrieri. Isso acontece porque a experiência combina novidade, colaboração e contato físico. Considere uma aula de culinária, uma nova rotina de exercícios ou até aprender juntos a jogar um videogame. Evite atividades em que um de vocês tenha muito mais experiência; a ideia é explorar algo novo em conjunto. — Quando isso acontece, surge uma vulnerabilidade compartilhada que, de repente, faz com que voltar para o quarto não pareça tão assustador — ilustra Balestrieri. Uma forma de “hackear” o sistema de recompensa do corpo é buscar aventura com o parceiro, disse Garcia. Isso não significa necessariamente pular de paraquedas; explorar um bairro novo ou assistir a um filme de terror juntos já funciona. Quando vocês fazem coisas que são — um pouco arriscadas — juntos, o cérebro começa a associar essas sensações de excitação e novidade ao parceiro, disse ele. Tire a pressão Muitos especialistas em intimidade destacam que as pessoas frequentemente temem as oscilações normais do desejo e da libido — e se culpam quando não as vivenciam de uma forma específica (geralmente espontânea). — Um dos maiores inimigos da libido é tentar sentir desejo sob demanda — disse Morse. Pressionar-se e pensar demais só piora a situação, acrescenta. Ela aconselha focar em sair da cabeça e entrar no corpo, um conceito que terapeutas às vezes chamam de “encarnação” ou presença corporal. Durante momentos íntimos — com um parceiro ou sozinho —, observe: algo está gerando prazer? Tensão? Desconforto? Como está a sua respiração? — O desejo sexual geralmente aparece quando a pessoa se sente segura, presente e viva no próprio corpo. Em alguns casos, pode ajudar tirar o sexo completamente da equação, constata Pere. Para parceiros que enfrentam grandes discrepâncias de desejo, uma pausa breve e acordada entre ambos pode mudar o foco para explorar caminhos de prazer fora do sexo. Por exemplo, podem investir em toques não sexuais, diz ele, ou em flerte. — Paradoxalmente — afirma Pere —, o desejo pode crescer quando o sexo não está constantemente em pauta.